Abadia de São Germano
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A ABADIA DE SAINT GERMIAN DES PRÉS, fundada no século VI, na cidade de Paris, França, foi um estabelecimento monástico medieval de grande importância. O grande remanescente da abadia é a igreja, a mais antiga da cidade ainda de pé, localizada no bairro homônimo. A construção da abadia foi determinada pelo rei Childeberto I, da dinastia merovíngia. De acordo com a história, o estabelecimento foi criado para guardar relíquias do São Vicente de Saragoça e um relicário com um pedaço da Cruz de Cristo, obtidas pelo rei numa expedição militar pela Espanha visigoda. Devido a isso, a abadia foi inicialmente dedicada a São Vicente e à Santa Cruz.

A consagração da abadia foi realizada em 558 pelo Germano, bispo de Paris. Neste mesmo ano, morreu o rei franco, que foi sepultado no novo edifício, inaugurando assim o uso da abadia como necrópole real. Vários membros da dinastia merovíngia da capital francesa foram sepultados ali, como Chilperico I (584) e sua rainha Fredegunda (597), Clotário II (629), Childerico II (673) e sua esposa Bilichida (675). O bispo Germano foi também sepultado ali em 576. Após a morte do bispo, surgiu uma devoção ao redor do seu nome, com os fiéis peregrinando para ver o túmulo, o que levou à canonização. Seus restos foram transladados em 755 para a área detrás do altar principal da igreja, ficando junto aos do rei carolíngio Pepino, O Breve e seus filhos Carlos Magno e Carlomano.

A partir de então, a abadia começou a ser conhecida unicamente como Saint-Germain-des-Prés, indicando que ela ficava fora dos limites da cidade. Na segunda metade do século IX, ainda em época dos carolíngios, a abadia foi assaltada várias vezes pelos normandos. Um dos monges da época, Abbon Cernuus, escreveu em finais do século IX, um importante poema que relata o cerco que sofreu Paris pelos normandos nos anos 885 e 886. Muitas reformas foram realizadas na igreja ao longo da Idade Média, começando pela reforma românica da torre por volta do ano 1000. Nos séculos XI e XII a igreja foi totalmente reconstruída. O transepto e o cruzeiro também são do século XI, enquanto que o coro com deambulatório e capelas radiantes, em estilo gótico inicial, data provavelmente dos anos 1140. O portal gótico, localizado sob a torre românica da entrada, data dos anos 1160.

No século XVII estabeleceu-se na abadia a Ordem de São Mauro, que a transformou num dos principais centros intelectuais da França. Os Mauristas revolucionaram os estudos da história, baseando-se no rigor da leitura das fontes documentais. Entre estes intelectuais, destacaram-se Jean Mabillon e Bernard de Montfaucon. Eles também realizaram grandes obras na abadia, muitas vezes respeitando o estilos arquitetônicos anteriores. A abóbada das naves, por exemplo, foi refeita na década de 1640 imitando o estilo gótico do coro. Um dos abades no século XVII foi um antigo rei da Polônia, João II Casimiro Vasa, que abdicou ao trono em 1668. Sua tumba localiza-se no transepto da igreja.

A abadia ocupava uma enorme área em 1790, quando foi dissolvida durante a Revolução Francesa. Nessa época, o complexo monástico foi ocupado por uma fábrica de salitre. Ao mesmo tempo,  explosões acidentais causaram grande destruição. A maior parte dos edifícios se perdeu, restando apenas a igreja com uma pequena parte do claustro e o palácio abacial, construído em 1586 pelo arquiteto Guillaume Marchand para o abade de então, Carlos de Bourbon. No século XIX, a igreja foi reformada e redecorada com pinturas murais. As torres medievais que flaqueavam o transepto foram demolidas. Desde 1819, a tumba do filósofo René Descartes (1596-1650) localiza-se numa capela do deambulatório.


 

 



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