gilberto-gil-em-concertoGilberto & Concerto

2909/2018 — O cantor e compositor baiano Gilberto Gil lançou  em 1987 o álbum “Em Concerto”. O trabalho mereceu uma resenha na revista Playboy, edição de maio daquele ano, assinada pelo crítico Edson Rodrigues. Gravado ao vivo, o disco resume dois shows realizados pelo artista no ano anterior. O lado A obedece a cronologia das canções, intercalando comentários. Alguns versos do clássico “Aquele Abraço” servem para introduzir a música “Eu Vim da Bahia”, um sambinha bossa-nova de 1965. A seguir, os teclados do Ricardo Cristaldi e a percussão do Givaldo Repolho se juntam ao violão do intérprete para acompanhar a música “Procissão”. Os três permanecem e lembram “Domingo No Parque”, sucesso popular dos últimos anos da década de 1960.

De acordo com o crítico, a “Soy Loco Por Ti América” é o ponto alto do disco, “com um sotaque caribenho irresistível”. Pra fechar o lado A, o baiano canta “Mamma”, um blues feito na cidade de Londres durante a época do exílio. No lado B, há trechos da participação no Projeto Luz do Solo. Traz, ainda, intervenções do Jorge Mautner, além das canções “Cores Vivas e Palco”, de 1981, “Filhos de Gandhi”, afoxé de 1973, e “Só Chamei Porque Te Amo”, versão da “I Just Called To Say I Love You”, do americano Steve Wonder. O crítico diz que, nessa faixa, o Gil está mais solto e a plateia ajuda nos improvisos. Até 2018, o artista lançou 64 discos. De acordo com levantamentos não oficiais, vendeu, na carreira, mais de cinco milhões de cópias. Ganhou quatro Grammys. Em 2018, a música “Afogamento” foi incluída na trilha sonora da novela “Segundo Sol”.

20160721Gilberto Gil
GILBERTO PASSOS GILE MOREIRA nasceu no dia 26 de junho de 1942, na cidade de Salvador, Estado da Bahia. Primogênito da família, residiu, na infância, na cidade de Ituaçu. Manifestou talento para a música com apenas três anos de idade. Aos nove anos, voltou para a capital baiana. Começou a compor no início dos anos de 1960, ao mesmo tempo em que cursava administração na Universidade da Bahia. Gravou a primeira música — “Bem Devagar” — em 1962.

Em 1965, mudou-se para São Paulo para melhor direcionar a carreira e para assumir um cargo na empresa Jessy Lever. Na capital paulista, participou do espetáculo teatral “Arena Canta Bahia”, do Augusto Boal. Na televisão, em 1966, destacou-se no programa “O Fino da Bossa”, apresentado pela Elis Regina. A gaúcha, inclusive, consagrou a canção “Louvação”, da sua autoria. O primeiro disco saiu em 1967, no mesmo ano em que ganhou projeção no III Festival da Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record. O primeiro lugar veio com a música “Domingo No Parque”. A letra traz elementos do tropicalismo, movimento que liderou junto com o conterrâneo Caetano Veloso.

Em 1969, foi preso pelo regime militar. Liberado, decidiu viver exilado em Londres, Inglaterra. Voltou para o Brasil em 1972, ano do disco “Expresso 2222”. Três anos depois, lançou o seu outro clássico: “Refazenda”. Em 1977, participou do Festival da Nigéria e gravou o disco “Refavela”, trabalho que abriu uma fase na qual foi influenciado pela música negra internacional. Nos anos de 1980, foi secretário de cultura de Salvador, onde se elegeu vereador pelo PMDB. Como político, destacou-se na luta pela despoluição do litoral baiano. Em 1999, veio a consagração mundial, com o Prêmio Grammy de melhor disco na categoria “música mundial”. Voltaria à política em 2003, como ministro de cultura do governo Lula da Silva. Ficou no cargo até 2008. Além de 64 discos na carreira, emplacou 68 músicas em trilhas sonoras de filmes, novelas, séries e minisséries.



 

 



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