Mallu Magalhães

01/11/2013 — A cantora paulistana Mallu Magalhães começou esta semana  (28/10/2013) uma pequena turnê em solo norte-americano. Os concertos começaram a acontecer depois de resenhas favoráveis ao seu primeiro disco internacional — Highly Sentitive — no jornal The New York Times. O disco é uma compilação dos seus três trabalhos anteriores. A crítica do jornal americano — um dos mais poderosos da terra de Tio Sam — diz que, em certos momentos, a brasileira parece estar cantando para si mesma, mas se obtiver sucesso em sua excursão, deverá cantar cada vez para mais gente.

MalluMagalhaes in1
MARIA LUÍZA DE ARRUDA BOTELHO PEREIRA DE MAGALHÃES nasceu no dia 29 de agosto de 1992, na cidade de São Paulo. É filha de uma paisagista e de um engenheiro, músico amador que a influenciou nos gostos musicais. Aos nove anos, ganhou um violão do pai e, dois anos depois, passou a estudar o instrumento. Aos 12, começou a compor músicas, grande parte delas escrita em inglês. Em 2007, gravou quatro de suas canções e as disponibilizou na Internet, através do sítio MySpace.

Dentre essas músicas, destacou-se Tchubaruba, que fez enorme sucesso na rede. Em 2008, fez sua primeira apresentação acompanhada de músicos profissionais no Clash Club, reduto alternativo de São Paulo. Despertou a atenção de jornalistas presentes pela interpretação de músicas de Bob Dylan. Depois disso, percorreu o circuito dos festivais de música independente e fez uma parceria com o compositor Marcelo Camelo, ex-Los Hermanos. Gravou seu primeiro álbum num grande estúdio no Rio de Janeiro.

O disco de estreia confirmou seu estilo folk e pop rock. Em outubro, lançou seu primeiro DVD, gravado ao vivo em suas apresentações no Rio de Janeiro e São Paulo. Ainda em 2008, foi indicada para o MTV Video Music Brasil nas categorias Artista do Ano, Banda/Artista Revelação e Show do Ano. No começo de 2009, fez uma turnê por Portugal, com shows nas cidades do Porto e Lisboa. No segundo semestre, gravou seu segundo álbum, no qual, além do folk e do pop rock, apresenta trabalhos no estilo reggae e samba. O terceiro disco, Pitanga, surgiu em outubro de 2011. Veja abaixo a crítica de Júlio Maria, do jornal O Estado de S. Paulo. Em 2017 lançou os videoclipes “Você Não Presta” e “Vai e Vem”.
 

MalluMagalhaes in2Não é mais uma garotinha
Por Júlio Maria
O Estado de S. Paulo — 8 de outubro de 2011


Mallu Magalhães era o boi de piranha, a isca no anzol dos tempos de idolatria virtual. Queríamos (leia-se parte da crítica e ouvintes desafetos) ver até onde ia esse negócio de artista teen sem história e sem estrada que aparece no You Tube com um violãozinho, essa história de vozinha meiga que atrai na web seguidores que mudam de seita como quem muda de roupa. Visto assim, seu novo disco, Pitanga, parece uma muralha colocada à frente de uma garota agora com 19 anos. Se viesse ralo, reforçaria a tese de que ela só tinha graça quando menininha justamente por ser ali um fio sempre prestes a quebrar. A fragilidade dos 16 anos soava charmosa. Assim que crescesse, seria esquecida. Se viesse robusto... Ah, quem seria machão prá dizer que Mallu faria um disco robusto?

Mas sim, Mallu faz um disco forte, pisando firme. Chega produzida pelo namorado Marcelo Camelo — e muito se percebe do Hermano ali. Sua voz é ainda um fio, mas usada de forma que inverte o jogo, fazendo da limitação um triunfo. Camelo, um especialista em criar texturas suaves com pouca instrumentação, não deixa que Mallu grite ou se arrisque em regiões desconfortáveis. Os arranjos são o golpe desta vitória, e soam como aquela cama arrumada com lençol de seda. O álbum traz ainda a pegada folk, mas seu caldo é mais grosso. Sua primeira frase talvez seja um desabafo de uma cantora que, agora, pode não mais se preocupar com isso: “Pode falar que eu não ligo, agora amigo, eu tô em outra. Eu tô ficando velha, eu tô ficando louca...”


 

 

 



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