gilberto-gil-em-concertoGilberto Gil

01/05/1987 — O artista Gilberto Gil está lançando o seu novo LP — “Gilberto Gil Em Concerto” —, gravado ao vivo. O trabalho resume dois shows realizados em 1986. O “lado A” obedece à cronologia das canções, intercalando comentários. Trata-se de boa música. Alguns versos da “Aquele Abraço” servem para introduzir a “Eu Vim da Bahia”, um sambinha bossa-nova de 1965. A seguir, os teclados do Ricardo Cristaldi e a percussão do Repolho Santos se juntam ao violão do cantor para acompanhar a “Procissão”.

Os três permanecem conectados para lembrar a “Domingo No Parque”, primeiro sucesso popular do baiano nos difíceis, mas fertilíssimos, últimos anos da década de 1960. A “Soy Loco Por Ti América” é o ponto alto do disco, na opinião do crítico Edson Rodrigues, da Playboy. Ele a canta com um incrível sotaque caribenho. Pra fechar, tem a “A Mamma”, um blues feito em Londres durante o seu exílio. No “lado B”, há trechos da sua participação no Projeto Luz Solo. Destaque também para as duas intervenções do Jorge Mautner: “Cores Vivas” e “Palco”. Há também o afoxé “Filhos de Gandhi”, de 1973, e “Só Chamei Porque Te Amo”, versão da “I Just Called To Say I Love You”, do Steve Wonder.


20160721Gilberto Passos Gile Moreira
Nasceu no dia 26 de junho de 1942, na cidade de Salvador, Bahia. Primogênito da família, residiu, na infância, na cidade de Ituaçu. Manifestou talento para a música com apenas três anos de idade. Aos nove anos, voltou para a capital baiana. Começou a compor no início dos anos de 1960, ao mesmo tempo em que cursava administração na Universidade da Bahia. Gravou a primeira música — “Bem Devagar” — em 1962. Em 1965, mudou-se para São Paulo para melhor direcionar a carreira e para assumir um cargo na empresa Jessy Lever.

Na capital paulista, participou do espetáculo teatral “Arena Canta Bahia”, do Augusto Boal. Na televisão, em 1966, destacou-se no programa “O Fino da Bossa”, apresentado pela Elis Regina. A gaúcha, inclusive, consagrou a canção “Louvação”, da sua autoria. O primeiro disco saiu em 1967, no mesmo ano em que ganhou projeção no III Festival da Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record. O primeiro lugar veio com a música “Domingo No Parque”. A letra traz elementos do tropicalismo, movimento que liderou junto com o conterrâneo Caetano Veloso.

Em 1969, foi preso pelo regime militar. Liberado, decidiu viver exilado em Londres, Inglaterra. Voltou para o Brasil em 1972, ano do disco “Expresso 2222”. Três anos depois, lançou o seu outro clássico: “Refazenda”. Em 1977, participou do Festival da Nigéria e gravou o disco “Refavela”, trabalho que abriu uma fase na qual foi influenciado pela música negra internacional. Nos anos de 1980, foi secretário de cultura de Salvador, onde se elegeu vereador pelo PMDB. Como político, destacou-se na luta pela despoluição do litoral baiano. Em 1999, veio a consagração mundial, com o Prêmio Grammy de melhor disco na categoria “música mundial”. Voltaria à política em 2003, agora como ministro de cultura do governo Lula da Silva. Ficou no cargo até 2008. No total, são 63 discos na carreira.



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