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Químico israelense execrado pelos colegas ganha o Nobel de 2011

danielshechtman in1DANIEL SHECHTMAN nasceu no dia 24 de janeiro de 1941, na cidade de Tel Aviv.

Descobriu os quase cristais em 1982, quando trabalhava nos Estados Unidos. Observava uma liga metálica em um microscópico eletrônico quando notou um padrão existente na arte islâmica, então desconhecido no nível molecular. Tratava-se dos quase cristais, um material antiaaderente, resistente ao calor e que não enferruja, hoje presentes em produtos que vão de frigideiras a monitores com telas de cristal líquido. Quando anunciou as descobertas, outros cientistas simplesmente riram dele. Um gigante da química, Linus Pauling, duas vezes vencedor do Nobel, afirmou que não havia quase cristais. Havia apenas “quase cientistas”. Declarou, por isso, na época, que se sentiu rejeitado, principalmente por ter sido demitido pelo líder de seu grupo de pesquisas, com a justificativa de que suas declarações prejudicavam a equipe.

Antes do achado, os cientistas afirmavam que a matéria sólida se apresentava somente em dois estados: cristalino, como os diamantes, no qual os átomos são arranjados em fileiras rígidas; e amorfo, como os metais, com os átomos arranjados sem uma ordem específica. A matéria quase cristalina ofereceu uma terceira possibilidade e abriu uma porta para que a indústria utilizasse novos tipos de materiais em seus produtos. Agora, centenas de quase cristais foram sintetizados em laboratório. E, há dois anos, pesquisadores relataram a descoberta dos primeiros quase cristais encontrados na natureza, na Rússia.

Para lhe dar o Prêmio Nobel em 2011 — R$ 2,68 milhões — o comitê da Real Academia Sueca lembrou que sua descoberta foi extremamente controversa. Para o órgão, mudar a percepção generalizada da natureza nunca é fácil. O cientista israelense lidou com ceticismo de umá maneira muito científica e cavalheiresca e respondeu aos seus críticos como um cientista deve fazê-lo: por meio da ciência.


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