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Os 545 anos do nascimento de Nicolau Maquiavel

maquiavel in15NICCOLÒ MACHAVELLI nasceu no dia 3 de maio de 1469 na cidade de Florença. Morreu no dia 21 de junho de 1527.

Nasceu de numa família nobre de Florença. A renda de seu pai, o advogado Bernardo Machiavelli, era relativamente pequena. Entretanto, foi suficiente para proporcionar boa educação ao menino. Recebeu formação humanística, e, apesar de haver lido vários autores latinos e gregos, não adquiriu o preciosismo e a erudição puramente formais de muitos humanistas da época. Com 29 anos começou a participar intensamente da vida política da cidade. Em 1498 assumiu cargos oficiais relacionados com os negócios externos e a guerra. Graças a essas posições, familiarizou-se com a conturbada política da Europa renascentista. A Itália da época compreendia cinco grandes estados: o reino de Nápoles, o ducado de Milão, as repúblicas de Veneza e de Florença e o Estado Pontifical (Igreja Católica).

Dividida, a nação era pressionada pelos estados europeus — principalmente Espanha e França — que já haviam passado pelo processo de centralização monárquica. A unificação italiana era dificultada pelos interesses opostos dos diferentes estados e pela política temporal do Vaticano. Este não tinha força suficiente para unificar a Itália sob uma hegemonia, nem aceitava que a unificação fosse liberada por outro estado. Frequentemente, os estados italianos buscavam auxílio no exterior, o que fazia suas lutas assumirem dimensão internacional. Além disso, alguns deles sofriam as pressões das dinastias europeias que se consideravam com o direito de governá-los. Assim, o rei da França, Carlos VIII, conquistou Nápoles em 1494, usando como pretexto o argumento de que a casa de Anjou, a que pertencia, tinha direitos sobre o reino.

maquiavel in2Em seu oficio, Maquiavel lidava com toda a correspondência referente às manobras diplomáticas entre Florença e outros estados. Depois de algum tempo, passou a desempenhar missões diplomáticas menores. Foi encarregado de assessorar como observador político junto aos governos da França e da Alemanha. Participou também das negociações entre o papa e alguns príncipes italianos. Suas observações o ajudaram formar uma visão da política italiana e das potências europeias e, ao mesmo tempo, o levaram a refletir sobre vários aspectos da guerra, principalmente os problemas criados pela ausência de tropas regulares.

Em 1512, com a ascensão de Lourenço de Medici ao poder, foi afastado de seus cargos e obrigado a permanecer em território florentino, pagando uma caução de 1000 florins. Acusado de conspirar contra os Medicis, acabou sendo preso e torturado. Como não tinha como pagar a fiança, só foi solto quando se decretou uma anistia geral. Depois de destruído, Maquiavel tentou recuperar seus cargos na chancelaria agradando às grandes figuras da política florentina: O Príncipe (1513/14) foi oferecido a Lourenço de Medici; os Discursos Sobre a Primeira Década de Tito Lívio (1519) foram escritos para os legisladores de Florença (1520) e A História de Florença foi redigida por sugestão de Julio de Medici, futuro papa Clemente VII.

maquiavel in3Além do bem e do mal
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Em sua teoria política — exposta principalmente em O Príncipe —, procurou eliminar os limites impostos pela religião ao pensamento político. O homem ascenderia ao poder graças à fortuna e à virtú. Assim, a virtú — energia, resolução, vigor, talento, senso de oportunidade —do príncipe pode dominar a fortuna, isto é a conjuntura. Maquiavel coloca o processo político além da moral. O príncipe que pretender se manter no poder deve aprender a ser bom ou mau, conforme as necessidades. Certos defeitos e vícios podem ser necessários à conservação do estado e, ao contrário, certas qualidades poderiam levá-lo a perdê-lo.

Finalmente nas ações dos homens, e sobretudo, dos príncipes, que não podem ser investigados perante um tribunal, o que se considera é o resultado”. Numa época em que todo os soldados da península italiana eram mercenários, ele propunha a formação de um exército de tropas regulares, recrutadas entre a população. Os chefes de estado da época não tinham condições financeiras nem políticas para isso; os príncipes costumavam manter apenas uma guarda pretoriana para sua defesa pessoal. A medida implicaria a entrega de armas ao povo, iniciativa perigosa para governantes de populações secularmente descontentes.

maquiavel in4Um herói italiano
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Em 1559, o papa
Paulo IV colocou a obra de Maquiavel no Index, decisão que foi solenemente confirmada no Concílio de Trento (1564). Já enfraquecida pela Reforma, a Igreja Católica não podia tolerar a submissão do religioso ao político, o que constituía o traço essencial dos trabalhos do teórico. Apesar da interdição, seu pensamento expandiu-se por toda a Europa, principalmente pela Itália, França e Inglaterra. No período de consolidação do Absolutismo, à acusação de impiedade que lhe fora feita acrescentou-se a de “defensor de tiranos”. O Príncipe foi identificado como um manual de técnicas do despotismo. Além disso, extraindo-se Maquiavel de seu contexto histórico, criou-se para ele a imagem de talentoso oportunista político.

Jean-Jacques Rousseau e Denis Diderot tentaram reabilitar a suafigura. Diderot sustentou que O Príncipe é uma sátira que, por equívoco, foi entendida como elogio. Já Rosseau sublinhou a profundidade das convicções republicanas de Maquiavel, que teria sido obrigado pelas circunstancias que o envolviam a disfarçar seu amor pela liberdade, “simulando dar lições aos reis, quando na verdade dava-as ao povo”. Os democratas radicais do século XX afirmaram que Maquiavel extraiu suas normas de estudo da história. Assim, o maquiavelismo seria a prática política dos poderosos; as lições de Maquiavel teriam sido dirigidas àqueles que não as conheciam, ou seja, exatamente os súditos. Não podendo falar às claras com seu público, ele teria optado pela desmistificação do poder, despojando-se de sua aparente moralidade, através dos procedimentos dos soberanos.

Mas, para o grande público, Maquiavel só saiu do ostracismo quando foi louvado como herói nacional, durante o movimento de unificação da Itália. Nas primeiras décadas do século XX, as discrepâncias no entendimento de sua obra permitiram interpretações diametralmente opostas. Por exemplo: Mussolini reconheceu no autor um percursor do fascismo, ao passo que o marxista Antônio Gramsci viu em O Príncipe uma antecipação do Partido Revolucionário do proletariado. Os estudos contemporâneos acerca do historiador procuram afastar problemas ideológicos e morais. Preocupam-se em determinar a contribuição do pensador à historia das ideias políticas.

De acordo com alguns especialistas, o pensamento de Maquiavel não pode ser encarado como uma teoria política que pretendesse se manter indefinitivamente inalterada. Ele escreveu uma obra que visava mais à Itália da época: dividida em pequenas republicas e principados, a nação era vitima indefesa das máquinas de guerra dos estados nacionais recém- formados. Maquiavel não buscou a melhor ou a mais legitima forma de governo, nem se preocupou em apurar em que consiste o poder ou o estado. Referindo-se sempre à situação italiana — mesmo que de forma pouco explícita —, procurou descobrir a maneira de fazer reinar a ordem e instituir um estado duradouro na Itália (Enciclopédia Abril).


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