sobre-a-ira1Sêneca, Ética e Moralidade

27/12/2014 — Já está nas livrarias a obra “Sobre a Ira/Sobre a Tranquilidade da Alma”, do filósofo latino Sêneca. De acordo com a sinopse da editora Companhia das Letras, escritos na metade do primeiro século, em formato epistolar, os dois diálogos contidos no volume foram provavelmente as únicas obras latinas dedicadas a expor uma terapêutica para a superação da ira e para o alcance de um estado de perene serenidade. Ambos exemplificam a concepção que o autor tinha da filosofia: uma disciplina prática, destinada não só a elevar a qualidade ética da vida humana, mas, sobretudo, a promover um processo de sentimento espiritual, conforme a perspectiva afirmada pela doutrina estoica.

seneca1LÚCIO ANEU SÊNECA nasceu em dia e mês incertos do ano 4 antes de Cristo, na localidade de Córdoba, Andaluzia, Espanha, então província romana. Morreu em dia e mês incertos do ano de 65 depois de Cristo, na cidade de Roma.

Filho do retórico Sêneca, o Velho, foi levado muito cedo para Roma, onde se educou. Perseguido pelo imperador Calígula, acabou sendo enviado para a Ilha da Córsega, graças às maquinações da imperatriz Messalina, em 41 depois de Cristo. Em 49, voltou para Roma, a chamado do imperador Cláudio, cuja esposa — a imperatriz Agripina — o queria para preceptor do filho Nero, futuro imperador. Foi logo elevado ao cargo de pretor. Quando o discípulo foi nomeado em 54, com a ajuda do prefeito pretoriano, conseguiu enfraquecer o poder da imperatriz-mãe. Encaminhou o jovem imperador para um governo eficiente que durou cinco anos.

Segundo alguns historiadores, teria tomado parte na trama de Nero para assassinar a mãe. Mas seu poder junto ao imperador decresceu progressivamente, levando-o a não só abandonar a vida pública como também a renunciar aos bens que acumulara. Suspeito de participar de uma conspiração, foi-lhe ordenado por Nero que se matasse abrindo as veias, o que fez sem manifestar nenhum temor. Classificado como estoico, seu trabalho mais importante é a coleção “Epístolas Morais”, escritas entre 63 e 65. Nelas, conceitos epicuristas entrelaçam-se a noções estoicas e a observações pessoais e satíricas sobre a sociedade da época.

Por outro lado, “Da Clemência”, escrita entre 55 e 56, dedicada a Nero, é um brado contra a tirania. No ensaio “Da Brevidade da Vida” faz uma análise das ocupações frívolas da sociedade corrupta. No ensaio “Da Tranquilidade da Alma” aborda o tema da participação do cidadão na vida pública. Deixou nove tragédias sobre temas mitológicos, destinadas à declamação, entre as quais “Hércules Furioso”, “As Troianas”, “As Fenícias”, “Medeia”, “Fedra”, “Édipo”, “Agamenon”, “Tiestes” e “Hércules no Eta”. Escreveu ainda muitos discursos. Exerceu poderosa influência na Igreja Romana pelos argumentos que empregou no combate ao vício e na exaltação da virtude.


 

 


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