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Um Marx “capitalista”: primeira edição de “O Capital” é vendida por R$ 1 milhão

karl-marx o-capital1 Karl Marx

17/06/2016 — Uma rara primeira edição da obra “O Capital”, do Karl Marx, foi vendida em Londres por 218,5 mil libras (mais de R$ 1 milhão) pela casa de leilões Bonhams. O exemplar leva a assinatura do autor e havia sido dada por ele ao seu então amigo Johann Eccarius. O lance vencedor foi oferecido por telefone. A obra foi comprada por um colecionador europeu, do qual não foram revelados detalhes. O exemplar arrematado é datado de 18 de setembro de 1867, quatro dias depois da publicação do primeiro volume. É também uma das poucas cópias que sobreviveram. “O Capital”, um tratado de crítica das ciências econômicas, é formado por três volumes.

Os outros dois, elaborados pelo amigo e colaborador Friedrich Engels a partir das notas do autor, apareceram em 1885 e 1894. Eccarius (1818-1889) foi um alfaiate que se uniu à britânica Liga dos Justos, organização revolucionária apoiada por alemães que tinham emigrado em 1839 e que daria origem à organização marxista Liga dos Comunistas. Em 1846, Marx e Engels, que, então, viviam em Bruxelas, foram convidados a se unir à liga. Um ano depois, eles assistiram ao segundo congresso da organização na capital inglesa, onde conheceram Eccarius. Marx foi muito amigo do alfaiate, mas, por volta de 1870, a relação se tornou difícil. O alemão descobriu que o inglês estava assumindo os créditos de suas ideias em artigos publicados em jornais londrinos.

karl-marx in1Karl Heinrich Marx
Nasceu no dia 05 de maio de 1818, na cidade de Tréveris, Renânia, Prússia (atual Alemanha). Morreu no dia 14 de março de 1883, na cidade de Londres, Inglaterra, Reino Unido. Foi o principal representante da doutrina socialista, à qual conferiu base científica. Era neto de um rabino e filho de um advogado liberal, identificado com as obras dos franceses Voltaire e Jean-Jacques Rosseau. A influência do liberalismo francês sobre ele ficou acentuada ainda na escola secundária, antes de ingressar na Faculdade de Direito da Universidade de Bonn, em 1835. No ano seguinte, transferiu-se para a Universidade de Berlim.

Em 1841, apresentou na Universidade de Iena a sua tese de doutoramento. Chegou a se preparar para dar um curso de filosofia, mas, afinal, se voltou para o jornalismo. Foi chamado para dirigir a Gazeta Renana, fundada na cidade de Colônia por líderes da burguesia liberal. Na mesma época, interessou-se pelos trabalhos dos socialistas utópicos franceses. Em 1843, após um violento artigo contra o absolutismo, o governo fechou o jornal. Transferiu-se, então, para Paris, França, onde fundou uma revista e, pela primeira vez, entrou em contato com o movimento socialista francês. Em setembro de 1844, conheceu o conterrâneo Friedrich Engels. A identificação entre os dois foi profunda, nascendo, daí, uma sólida amizade.

Em 1845, foi expulso da França. Fixou-se, então, na cidade de Bruxelas, Bélgica, onde escreveu os primeiros trabalhos com o Engels: “A Sagrada Família” e “A Ideologia Alemã”. Em 1847, na “A Miséria da Filosofia” refutaria violentamente a “A Filosofia da Miséria” do francês Pierre-Joseph Proudhon. Na sequência, solidificou os contatos com o movimento operário europeu. Em 1848, com Engels, lançou o “Manifesto Comunista”. A atmosfera revolucionária em seu país possibilitou a sua volta. Fundou o jornal Nova Gazeta Renana, que durou apenas até 1849. Novamente obrigado a deixar o país, voltou para Paris, de onde também foi expulso logo depois. Em agosto de 1849, chegou a Londres, Inglaterra, onde passou o resto da sua vida. Praticamente na miséria, dedicou-se quase que exclusivamente aos estudos. Dessa época, nasceu sua obra prima: “O Capital”.



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