banner-topo

Coroa Brastel, o escândalo que sacudiu a Velha República

assis-p-cunha in1História
linha-gif

Na manhã de 27 de junho de 1983, quando o estouro do grupo Coroa-Brastel começou a despejar estilhaços pelo país, atingindo 35 mil investidores, a história já tinha, desde o início um personagem, mais do que um réu, era o vilão: o empresário Assis Paim Cunha, presidente do grupo, que, até a véspera, era um disputado frequentador de gabinetes e dos negócios da Velha República. Ele era acusado de ter derramado no mercado financeiro 500 bilhões de cruzeiros, na moeda de então, em letras frias. Isto é, sem a devida cobertura em financiamentos.

Depois de um silêncio inicial, o empresário começou a contra-atacar, primeiro produzindo o rombo de 500 bilhões e depois acusando as autoridades governamentais da época, como os ministros Delfim Netto, Golbery do Couto e Silva, Ernane Galvêas e o presidente do Banco Central, Carlos Langoni. O caso Coroa-Brastel foi aberto pela Justiça em 1985, quando uma denúncia chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o empresário e contra dois ministros, Delfim Neto (Planejamento, abaixo à direita) e Ernane Galvêas (Fazenda). Os ex-ministros eram acusados de desviar recursos públicos na liberação de empréstimo da Caixa Econômica Federal ao empresário em 1981.

O empréstimo de, na moeda da época, cruzeiros — Cr$ 2,5 bilhões —, seria utilizado no reforço de capital de giro do grupo e no plano de expansão da Brastel. Segundo a denúncia, o dinheiro teria servido para quitar dívidas junto ao Banco do Brasil e ao Banespa. O caso foi a julgamento no ano de 1994. A denúncia contra Galvêas foi rejeitada. Já a acusação contra Delfim, então deputado pelo PPR-SP, não chegou a ser examinada. A Câmara dos Deputados negou licença ao STF para processá-lo. Paim Cunha, que morreu em 2008, costumava dizer que passou mais de 20 anos tentando limpar o seu nome, apontando para funcionários do governo federal que o teriam obrigado a comprar um corretora em dificuldades, a Laureano, o que teria contribuído para a ruína da sua rede de eletrodomésticos, a Brastel , e os braços financeiros do grupo, a corretora e o banco de investimentos Coroa.

Na sua versão, ele teria sido obrigado a comprar a Laureano, que estava em dificuldades, para ficar livre de limitações impostas ao financiamento de compras a prazo na Brastel, que, então, seria a maior rede de eletrodomésticos do país em volume de vendas. Na época — início dos anos de 1980 —, o regime militar já dava sinais de exaustão. A liquidação do grupo empresarial Coroa-Brastel se prolongou por mais de duas décadas, enquanto o empresário passou levar uma vida modesta, primeiro no Rio de Janeiro e depois em Miguel Pereira. Ele contava que sobrevivia graças uma pensão da previdência social e a renda do aluguel de três imóveis. Em 2001, ele vendeu um desses imóveis à prefeitura carioca e embolsou 15 milhões de reais. Os 34 mil investidores prejudicados na quebra do Coroa-Brastel jamais tiveram seu dinheiro de volta.



© 2013 Tio Oda - Todos os direitos reservados