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Em 2017, a caderneta de poupança teve o maior ganho real em 11 anos

poupanca 201707_economaticaCaderneta De Poupança

04/08/2017 — O volume de recursos depositados na Caderneta de Poupança em julho, já descontados os saques, somou R$ 2,3 bilhões, informou, nesta sexta-feira (4), o Banco Central. Foi o terceiro mês consecutivo de entrada líquida de recursos na caderneta e o melhor resultado para julho desde 2014, quando houve captação de R$ 4,1 bilhões. Em julho do ano passado, houve saques líquidos de R$ 1,1 bilhão e, em junho de 2017, aportes de R$ 6,1 bilhões. De acordo com o BC, o total de aplicações na poupança em julho foi de R$ 174,7 bilhões, enquanto os saques somaram R$ 172,4 bilhões.

O estoque do investimento na poupança está em R$ 681,2 bilhões, já considerando os rendimentos de R$ 3,5 bilhões de julho. No acumulado de 2017, os saques líquidos foram de R$ 9,955 bilhões. O ganho real da poupança (descontada a inflação) é o melhor dos últimos 11 anos no acumulado de janeiro a julho. É o que mostram cálculos feitos pela empresa de consultoria de serviços financeiros Economatica. A rentabilidade acumulada de 2017 está em 4,25%, enquanto a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 1,43% no mesmo período. A poupança rende 0,5% ao mês (ou 6,17% ao ano), mais a taxa referencial, atrelada à taxa básica de juros (Selic). O ganho real do poupador nos sete meses de 2017 é, portanto, de 2,79%, o melhor desempenho da poupança no período desde 2006, quando o ganho real do poupador foi de 3,04%. Segundo a Economatica, desde 1995 — um ano após o Plano Real —, somente cinco anos foram melhores que o de 2017 no acumulado até julho.

O Desempenho Em 2016
05/01/2017 — A queda da renda e a perda de atratividade perante outras aplicações fizeram a caderneta de poupança registrar retirada líquida de recursos pelo segundo ano consecutivo. Em 2016, os brasileiros sacaram R$ 40,7 bilhões a mais do que depositaram na poupança, segundo dados divulgados pelo Banco Central. A retirada líquida foi menor que a registrada em 2015, quando os saques haviam superado os depósitos em R$ 53,6 bilhões. Com a crise econômica e o aumento do desemprego, desde o ano retrasado, os brasileiros passaram a retirar dinheiro da poupança para quitar dívidas e pagar contas.

Apesar da retirada no acumulado do ano, os dois últimos meses de 2016 indicaram recuperação da poupança. Os depósitos superaram os saques em R$ 1,9 bilhão, em novembro, e, em dezembro, R$ 10,7 bilhões. O motivo foi pagamento da segunda parcela do décimo terceiro, que aumentou o volume de recursos disponível para o investimento. A captação líquida no último mês do ano foi a segunda maior registrada para o mês, perdendo apenas para o dezembro de 2013 (R$ 11,2 bilhões). A melhoria da rentabilidade e a queda da inflação ajudam a explicar a redução na fuga de recursos da poupança nos últimos meses do ano.

No ano passado, a caderneta rendeu 8,3%. Até novembro, a inflação em 12 meses medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo estava em 6,98%. Em 2015, a aplicação tinha rendido 8,07%, mas o IPCA tinha fechado o ano em 10,67%. Mesmo rendendo um pouco mais e com isenção de Imposto de Renda, a caderneta de poupança continua com rendimento inferior a outras aplicações. De acordo com levantamento recente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, os fundos de renda fixa com taxa de administração de até 2,5% são mais rentáveis que a poupança para aplicações de um a dois anos.

CADERNETAS DE POUPANÇA — Foram concebidas pelo imperador Dom Pedro II em 1861 com o decreto que instituiu e regulou a Caixa Econômica Federal. Tinha na época o objetivo único de remunerar depósitos com juros de 6% ao ano com a garantia do governo imperial. Essa modalidade de investimento era destinada às pessoas de baixa renda e permitia depósitos de até 50 mil réis. Em 1874, o rendimento da caderneta de poupança foi alterado através de um novo decreto. Pela nova norma, ficou estabelecido que as taxas de juros remuneratórios nunca seriam superiores a 6% ao ano e que seus valores seriam fixados anualmente pelo governo imperial.

Em 2012, a legislação brasileira determinou que os depósitos na caderneta de poupança realizados até 3 de maio daquele ano continuassem recebendo remuneração adicional de 0,5% ao mês (além da remuneração básica). Os depósitos realizados a partir de 4 de maio de 2012 (a então nova poupança), passaram a receber remuneração adicional variável de acordo com a meta estabelecida pelo Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, mais conhecido como Taxa Selic. Com essas alterações, a rentabilidade adicional da caderneta de poupança passou a ficar sujeita às variações da referida taxa, mas mantendo-se limitada a 0,5% ao mês durante períodos de altas taxas de juros. Por isso, segundo os economistas, quanto menor for a Selic melhor será o investimento na caderneta de poupança.



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