via-uno3Não Leu Corretamente o Mercado

28/03/2015 — A Via Uno — uma das principais marcas calçadistas do Brasil — requereu à justiça gaúcha a conversão do seu processo de recuperação judicial em falência. A medida foi concedida esta semana. Com isso, a empresa, que tem sede em Novo Hamburgo, pretende conservar o valor da marca para possível negociação no futuro. De acordo com os analistas de mercado, a Via Uno está avaliada em cerca de R$ 240 milhões. A partir de agora, a marca deverá passar por um processo de licenciamento, sob a supervisão do administrador judicial. O passo seguinte será a venda dos ativos — imóveis e máquinas, principalmente — para quitar as dívidas com os credores.

via-uno1As dificuldades da Via Uno cresceram nos últimos anos. Fontes do mercado dizem que o grande erro da empresa foi montar uma estratégia chique para concorrer com a Arezzo. Essa estratégia não teve o resultado esperado. Fundada há 24 anos, a Via Uno nasceu no Rio Grande do Sul com o objetivo de fornecer calçados de baixo custo para redes multimarca. Desde o início da década passada, no entanto, o fundador da companhia, o gaúcho César Minetto, decidiu que era a hora de tornar a Via Uno uma marca de moda. Para fazer jus a esse posicionamento, a companhia se desfez da operação fabril. Ela foi repassada a ex-funcionários, que se tornaram fornecedores. A companhia empreendeu uma rápida expansão de suas lojas — chegou a cerca de 200 unidades —, mas o público não acompanhou a mudança do posicionamento.

via-uno2Em pouco tempo, o valor de venda do par de sapatos da marca dobrou, aproximando-se de uma média de R$ 200,00. Para expandir rapidamente a rede, a Via Uno recorreu a empresários com tradição no segmento calçadista no país. No entanto, esses empresários se desinteressaram pela franquia, que tinha margens muito mais apertadas do que a de seus negócios principais. Por isso, mesmo sem caixa, a empresa foi obrigada a reassumir boa parte das lojas. Todo mundo reclamou que os preços estavam subindo rápido demais e que o público não estava acompanhando, disse um ex-franqueado da Região Sul ao jornal O Estado de S. Paulo, ao comentar a difícil situação da companhia. Apesar dos apelos, o ritmo de alta nos preços não foi reduzido. A companhia foi na contramão do resto do mercado.


 

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