garrafa1Heineken Vs. Dívidas

13/08/2018 — A gigante do ramo de bebidas Heineken NV está estudando a possibilidade de fechar duas fábricas no Estado de Pernambuco. Segundo revelou o jornal Valor Econômico, a decisão leva em consideração as perdas acumuladas, em 2017, de mais de R$ 90 milhões somente naquelas duas unidades. Esse prejuízo, segundo relatório da companhia, decorre da herança de dívidas correntes  e processos judiciais complexos que teve, ao comprar, em 2016, a planta instalada da japonesa Kirin. A Heineken possui outras quinze unidades fabris no país, as quais não apresentam capacidade para absorverem a produção das unidades nordestinas. Entre as marcas produzidas pelo grupo, estão as cervejas Heineken, Schin, Bavária, Devassa e Kaiser, além da Água Schin, da Schin Tônica e do refrigerante Tubaína.

Heineken No Mundo
30/07/2018 — A Heineken informou que teve lucro líquido de 950 milhões de euros (US$ 1,11 bilhão) no primeiro semestre, alta de 9,1% na comparação com igual período do ano passado, quando o lucro havia sido de 871 milhões de euros. A receita subiu 4,2%, chegando a 10,78 bilhões de euros no primeiro semestre de 2018, enquanto a receita líquida, em uma base orgânica, cresceu 5,6%. A empresa, porém, cortou a projeção de margem para este ano, atribuindo isso ao euro valorizado e a seus negócios no Brasil. A segunda maior cervejaria do mundo prevê que a margem operacional para 2018 recue vinte pontos-base. Anteriormente, a empresa previa que suas margens operacionais avançassem vinte e cinco pontos-base em 2018. O volume vendido avançarou 4,5% organicamente, com força na África do Sul, Rússia, Reino Unido, Nigéria e México.

mariliribeiro in1Heineken e a ressurreição da Kaiser
Por Marili Ribeiro
Estadão — 25/11/2011 — página B19

Um dado revelador do mercado de cervejas fez a holandesa Heineken investir na tentativa de “ressurreição” da combalida marca Kaiser: somente 5% dos bebedores de cerveja são fiéis a uma marca nos pontos de venda. Bares, botecos e restaurantes representam mais de 70% do consumo da bebida no Brasil. É ali, sentados com os amigos, que os clientes pedem a garrafa que estiver mais gelada. Não importa a marca — desde, lógico, que esteja no time dos rótulos que tenham boa reputação entre o público. E percepção de qualidade se constrói com marketing.

Esse dado, divulgado pela própria Heineken, foi somado à constatação de uma pesquisa que mostrou que quatro em dez consumidores citam espontaneamente a Kaiser quando perguntados por rótulos de cerveja. Pronto, estavam dadas as condições para motivar o “relançamento” da Kaiser. A Heineken encomendou amplo estudo para definir o tratamento que daria ao portfólio que comprou, há menos de dois anos, da mexicana Femsa. Depois que perdeu a Cervejaria Schincariol para a japonesa Kirin, cuja compra era dada como certa, havia muita especulação sobre qual estratégia adotaria para conquistar mercado e sair dos atuais 9,5% de participação total no mercado nacional. A compra da Schin seria o pulo ideal. Mas não deu certo. E, para surpresa de muitos, a holandesa resolveu apostar suas fichas na recuperação de mercado da Kaiser.

kaiser in1A marca, que andou à deriva e hoje se limita a ter pouco mais de 4% de participação de mercado, já foi uma das rainhas do consumo e rivalizava com a Brahma. Aliás, a acirrada briga pelo público entre ambas foi um dos motivos que levou à criação da gigante Ambev, com a Cervejaria Brahma comprando a centenária Antarctica, que já tinha perdido posição para a Kaiser. Em 1999, a Kaiser ocupava o segundo posto em vendas no Brasil, com 26,2% de participação, atrás apenas da Brahma, que detinha 34,25% das vendas. A Antarctica tinha 19,5%.

Criada no começo dos anos 80, como investimento de engarrafadores da Coca-Cola para combater a prática da venda casada, a Kaiser caiu na graça dos consumidores. Foi a Heineken quem desenvolveu o produto, há 30 anos. Esse passado glorioso teve peso nas avaliações da companhia sobre como crescer no Brasil. Tanto que a marca ganhará mais da metade da verba de marketing da Heineken no próximo ano. O preço, que ficará 10% abaixo da concorrência, deve estimular as vendas, mesmo com o atual consumo em queda — as vendas caíram 1% no último trimestre, mas a Kaiser cresceu 4,5%.

A tática na recuperação de rótulos não é novidade na companhia. “Nossa experiência pelo mundo tem mostrado que não há sucesso em lançar uma marca nova a partir do zero para conquistar um mercado”, diz Nuno Teles, vice-presidente de marketing da Heineken Brasil. “Pelo contrário, estamos conseguindo bastante resultado com relançamento de cervejas já estabelecidas no mercado”. Entre os casos que o executivo citou está a portuguesa Sagres, a italiana Birra Moretti e a australiana Foster’s. Todas fazem parte do portfólio global da companhia, terceira maior fabricante mundial.


 

 

 



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