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Livro de Graciliano Ramos fala dos cangaceiros Lampião e Corisco

cangacos-l1 Graciliano Ramos

19/05/2014 — Está chegando às livrarias de todo o Brasil o livro Cangaços, do alagoano Graciliano Ramos, um dos mais festejados escritores do país em todos os tempos. Organizado pelos pesquisadores Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla, ambos da USP, a obra reúne 16 textos, escritos pelo autor entre 1931 e 1941. Ele examina nos escritos o banditismo sertanejo, focando principalmente os cangaceiros Corisco e Lampião. Dois textos são inéditos: Dois Irmãos, que parte de Pedra Bonita, romance de José Lins do Rego, para fazer uma análise desencantada da realidade nordestina, e uma entrevista fictícia com Lampião, cuja autoria é presumida. Segundo a crítica, é um livro imprescindível para o entendimento de parte da história brasileira.

graciliano in1GRACILIANO RAMOS DE OLIVEIRA nasceu no dia 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrângulo, Alagoas. Morreu no dia 20 de março de 1953, na cidade do Rio de Janeiro. 

Era o primogênito de quinze irmãos. Depois de concluir os estudos secundários, trabalhou como jornalista e comerciante. Em 1928, foi eleito prefeito de Palmeira dos Índios, alagoas, mas renunciou ao mandato dois anos depois, escrevendo um célebre relatório de sua gestão ao governador do estado. Mudou-se, então, para Maceió, onde exerceu os cargos de diretor da Imprensa Oficial do Estado e da Instrução Pública de AlagoasEm 1933, lançou seu primeiro romance, Caetés, e manteve contato com escritores de vanguarda nordestina, como José Lins do Rego, Jorge Amado e Rachel de Queiroz.

Em 1934, publicou uma de suas obras primas, São Bernardo. Acusado de subversão comunista em 1936, ficou preso 11 meses no Rio de Janeiro, cumprindo parte da pena no extinto presídio da Ilha Grande. Narra a experiência no livro Mémórias do Cárcere (1955). Após ser libertado, continuou a viver e a trabalhar no Rio de Janeiro como jornalista e inspetor de ensino. Na década de 1940, já consagrado como um dos maiores romancistas brasileiros, filiou-se ao Partido Comunista. Em 1952, viajou à União Soviética e a outros países do leste europeu, descrevendo suas impressões no livro Viagem, publicado postumamente. Com linguagem precisa e preocupação social, sua obra é um exemplo de abordagem da literatura como meio de conhecimento e mudança da realidade, típica da segunda geração nordestina.

Entre suas obras, destacam-se ainda Angústia (1936), lançado durante o período de prisão, e Vidas Secas (1938). Angústia foi relançado em 2011 pela Editora Record. A obra traz pposfácios de Otto Maria Carpeaux e Silviano SantiagoO livro foi publicado originariamente em 1936, quando o escritor esteve preso por conta da arbitrária repressão getulista ao levante comunista de outubro de 1935. Tem a estrutura de autobiografia. Narrado em primeira pessoa, o livro acompanha a rotina de Luís da Silva, funcionário público e rancoroso que, por conta disso, torna a escrita nebulosa e delirante. De acordo com a crítica, funda-se na construção da intimidade. Segundo o crítico Ivan Teixeira (Estadão), o livro manifesta-se sob a forma de relato desesperado de um intelectual sem vocação para o crime, mas que, levado pelo ciúme e pelo desejo de justiça, assassina o homem que roubou a sua amada. Depois, levado pela necessidade de confissão, escreve a história do próprio crime, em cujo texto projeta a mesma atmosfera de delírio e fragmentação psicológica que praticamente o conduzira à loucura. Três de suas obras foram adaptadas para o cinema.



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