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30/03/2019 — Já está nas livrarias brasileiras e nas plataformas de vendas digitais uma nova edição do romance “Vidas Secas”, do alagoano Graciliano Ramos. Lançado pela Editora Record, o livro acompanha a trajetória da família de Fabiano, a Sinha Vitória, os dois filhos e a cachorra Baleia, na fuga do sertão em busca de oportunidades. É o romance em que ator alcança, segundo a crítica, o máximo da expressão que vinha buscando em sua prosa. O que impulsiona os personagens é a seca, áspera e cruel, e, paradoxalmente, a ligação telúrica, afetiva entre aqueles seres em retirada, à procura de meios de sobrevivência e um futuro. Originalmente, “Vidas Secas” foi lançado em 1938. Publicado pela Record desde 1975, a obra já vendeu, de lá para cá, 1,8 milhão de unidades.

20190330Graciliano Ramos
GRACILIANO RAMOS DE OLIVEIRA nasceu no dia 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrângulo, Alagoas. Morreu no dia 20 de março de 1953, na cidade do Rio de Janeiro.  Era o primogênito de quinze irmãos. Depois de concluir os estudos secundários, trabalhou como jornalista e comerciante. Em 1928, foi eleito prefeito da cidade de Palmeira dos Índios, no seu estado, mas renunciou ao mandato dois anos depois, escrevendo um célebre relatório de gestão ao governador do estado. Mudou-se, então, para Maceió, onde exerceu os cargos de diretor da Imprensa Oficial do Estado e da Instrução Pública de Alagoas.

Em 1933, lançou o primeiro romance, “Caetés”, e manteve contato com escritores da vanguarda nordestina, como José Lins do Rego, Jorge Amado e Rachel de QueirozEm 1934, publicou uma das suas obras primas, “São Bernardo”. Acusado de subversão comunista em 1936, ficou preso onze meses no Rio de Janeiro, cumprindo parte da pena no extinto Presídio da Ilha Grande. Narra a experiência no livro “Mémórias do Cárcere” (1955). Após ser libertado, continuou a viver e a trabalhar no Rio de Janeiro como jornalista e inspetor de ensino. Na década de 1940, já consagrado como um dos maiores romancistas brasileiros, filiou-se ao Partido Comunista. Em 1952, viajou à União Soviética e a outros países do leste europeu, descrevendo suas impressões no livro “Viagem”, publicado postumamente.

Com linguagem precisa e preocupação social, sua obra é um exemplo de abordagem da literatura como meio de conhecimento e mudança da realidade, típica da segunda geração nordestina. Entre as suas obras, destacam-se ainda “Angústia” (1936), lançado durante o período de prisão, e “Vidas Secas” (1938). “Angústia” foi relançado em 2011 pela Editora Record. A obra traz posfácios do Otto Maria Carpeaux e do Silviano Santiago. O livro foi publicado originariamente em 1936, quando o escritor esteve preso por conta da arbitrária repressão getulista ao levante comunista de outubro de 1935. Tem a estrutura de autobiografia. Narrado em primeira pessoa, o livro acompanha a rotina do Luís da Silva, funcionário público rancoroso que, por conta disso, torna a escrita nebulosa e delirante. Suas obras foram vastamente adaptadas para o cinema e para a televisão, com destaque para o filme “Memórias do Cárcere”, de 1984, com o ator Carlos Vereza.

cangacos l1Cangaços
19/05/2014 — Está chegando às livrarias de todo o Brasil o livro Cangaços, do alagoano Graciliano Ramos, um dos mais festejados escritores do país em todos os tempos. Organizado pelos pesquisadores Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla, ambos da USP, a obra reúne dezesseis textos, escritos pelo autor entre 1931 e 1941. Ele examina nos escritos o banditismo sertanejo, focando principalmente os cangaceiros Corisco e Lampião. Dois textos são inéditos: Dois Irmãos, que parte de Pedra Bonita, romance de José Lins do Rego, para fazer uma análise desencantada da realidade nordestina, e uma entrevista fictícia com Lampião, cuja autoria é presumida. Segundo a crítica, é um livro imprescindível para o entendimento de parte da história brasileira.


 

 



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