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Casimiro de Abreu cantou as belezas brasileiras em seu autoexílio em Portugal

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CASIMIRO JOSÉ MARQUES DE ABREU nasceu no dia 4 de janeiro de 1839, na Freguesia da Sacra Família da Barra de São João, atual Vila Capivari, e morreu no dia 18 de outubro de 1860, na localidade de Indaiaçu, Rio de Janeiro.


Era filho natural de um comerciante português e de uma fazendeira, que não coabitavam. Recebeu suas primeiras letras em Cabo Frio, continuando os estudos em Friburgo, no Instituto Freeze. Em 1852, o pai o tirou do colégio e o levou para trabalhar em sua casa comercial. No ano seguinte, foi enviado a Portugal, onde começou a sua atividade literária. Em 1854, publicou Canções do Exílio. Tinha apenas 16 anos, quando viu suas primeiras colaborações publicadas na revista Ilustração Luso-Brasileira, ao lado de Alexandre Herculano, Latino Coelho, Rebelo da Silva e outros. Em 1856, a capital Lisboa assistiu a seu drama Camões e o Jaú, encenado no Teatro Dom Fernando. Publicou na mesma época, em periódicos portugueses, o romance Carolina e o livro de memórias Camila.

 

Colaborou com vários jornais cariocas, especialmente com o Correio Mercantil, no qual trabalhavam também Manuel Antônio de Almeida e Machado de Assis. Voltou para o Brasil em 1857, somando ao trabalho no armazém paterno a vida boêmia. Em 1859, publicou o livro As Primaveras, que havia escrito em sua estadia portuguesa. Quando soube que estava tuberculoso, retirou-se para uma fazenda, em Indaiaçu, tentando, em vão, se recuperar. Espontâneo e ingênuo, teve por temas centrais a casa paterna, a saudade da pátria e o amor. É o patrono da cadeira número 6 da Academia Brasileira de Letras.

 

Em 1925, em homenagem ao poeta, o governo do Estado do Rio de Janeiro criou o município de Casimiro de Abreu, que abrange as localidades de seu nascimento (Barra de São João) e do seu falecimento (Indaiaçu). Em 1999, as editoras L&PM e Itatiaia lançaram as obras As Primaveras e Obras de Casimiro de Abreu, respectivamente. Em 2000, a Global Editora lançou os Melhores Poemas de Casimiro de Abreu. Em 2003, a mesma editora publicou Meus Oito Anos, enquanto a Editora Martins Fontes publicava As Primaveras. Em 2004, a Editora Ática publicou As Primaveras.

Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá. 

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores. 

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o sabiá. 


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