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Júlia Lopes de Almeida escreveu sobre as questões sociais no início da República

julia-l-ameida1Júlia Lopes de Almeida

JÚLIA VALENTINA DA SILVEIRA LOPES DE ALMEIDA nasceu no dia 24 de setembro de 1862, na cidade do Rio de Janeiro, então Estado da Guanabara. Morreu na mesma cidade no dia 30 de maio de 1934.

Filha de Valentim José da Silveira Lopes, professor e médico, agraciado com o título de Visconde de São Valentim, e de Adelina Pereira Lopes, passou parte da infância em Campinas, São Paulo. Desde pequena, demonstrou forte inclinação para a literatura, embora em seu tempo não fosse de todo recomendável essa preferência. Sempre gostou de fazer versos, mas os fazia às escondidas dos pais.

Um dia, porém, a irmã a pegou em flagrante escrevendo algumas rimas. Arrebatou o papel de suas mãos e mostrou-o ao pai. Este, entretanto, nem a repreendeu, nem a motivou. No dia seguinte, o genitor contou-lhe que o diretor do Jornal A Gazeta de Campinas lhe pedira um artigo sobre a atriz Gemma Cuniberti, mas que estava sem tempo para escrevê-lo. Encarregou a filha, então, de fazê-lo. Mais tarde, soube-se que o jornal nada tinha pedido ao pai, que queria apenas, com discrição, abrir-lhe o caminho para o início de sua carreira literária através da imprensa.

Estreou em livro em 1887 com os contos Traços e Iluminuras, cujo sucesso de público e de crítica foi imediato. No ano anterior, iniciara sua produção destinada às crianças, publicando Contos Infantis, em colaboração coma irmã, Adelina Lopes Vieira. Nessa época, casou-se com Filinto de Almeida, jovem poeta português, também jornalista e um dos diretores da revista carioca A Semana, da qual era colaboradora. Em 1891, iniciou-se no romance com A Família Medeiros. Seguem-se vários outros títulos: A Viúva Simões (1897); Memórias de Marta (1899); A Falência (1901). Esses romances foram alternados com peças de teatro. Em 1906, publicou O Livro das Donas e Donzelas, no qual registra reflexões sobre a condição da mulher na sociedade.

Entre as obras de maior repercussão entre os leitores, está Correio da Roça. Em linguagem simples e em forma epistolar, ela faz a apologia da vida útil e produtiva do campo em relação à vida fútil da cidade. Tema que, no início do século XX, passou a preocupar as autoridades e os escritores devido ao êxodo dos trabalhadores rurais para as zonas urbanas. O Rio de Janeiro, no início da República, passava por profundas mudanças de infraestrutura: substituição da iluminação a gás nas ruas por iluminação elétrica; alargamento das ruelas para abertura de avenidas; surgimentos e bairros, etc. O livro acompanha essa passagem de um sistema social rudimentar para outro, sofisticado, moderno. Por meio de cartas trocadas entre duas amigas e filhas, a romancista analisa com simplicidade as várias facetas da economia da época, os valores e desvalores ligados à mulher.

Obras
1886 — Contos Infantis (infantil)
1887 — Traços e Iluminuras (contos)
1891 — A Família Medeiros (romance)
1896 — Livro das Noivas (reflexão)
1897 — A Viúva Simões (romance)
1899 — Memórias de Marta (romance)
1903 — Ânsia Eterna (contos)
1906 — Livro das Donas e Donzelas (reflexão)
1907 — Histórias de Nossa Terra (infantil)
1908 — A Intrusa (romance)
1909 — A Herança (teatro)
1910 — Eles e Elas (teatro)
1911 — Cruel Amor (romance)
1913 — Correio da Roça (romance)
1914 — A Silveirinha (romance)
1917 — Quem Não Perdoa (teatro)
1917 — Doido de Amor (teatro)
1917 — Era Uma Vez (infantil)
1917 — Nos Jardins de Saul (teatro)
1920 — Jornadas No Meu País (reflexão)
1922 — A Isca (contos)
1922 — Jardim Florido (reflexão)
1923 — Oração a Santa Doroteia (reflexão)
1934 — Pássaro Tonto (contos) 


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