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Lima Barreto — Triste Visionário, a melhor biografia do escritor fluminense nas livrarias

lima-barreto-triste-visionarioLília Schwarcz & Lima Barreto

28/07/2017 — A editora Companhia das Letras está mandando para as livrarias a obra “Lima BarretoTriste Visionário”, uma biografia do autor carioca. A autora Lília Moritz Schwarcz dramatiza a convivência dele com familiares, amigos, profissionais, desafetos, etc. Além disso, levanta a formação intelectual e política do escritor. O livro discorre ainda sobre o sustento do biografado como funcionário público e jornalista e sobre as internações no hospício. A obra é considerada pelos críticos a mais completa biografia do Lima Barreto desde o trabalho do Francisco de Assis Barbosa, lançado em 1952. Antropóloga, historiadora e editora, a autora já é uma veterana em biografias. Tem treze livros publicados, com destaque para o “Um Enigma Chamado Brasil”, lançado em 2009.

limabarreto in1Lima Barreto
AFONSO HENRIQUES DE LIMA BARRETO
nasceu no dia 13 de maio de 1881 e morreu no dia 1.º de novembro de 1922, na cidade do Rio de Janeiro.
Funcionário público e jornalista, teve uma vida marcada pelo sofrimento. Mestiço de origem humilde, nunca conseguiu vencer o alcoolismo e chegou a ser internado em hospícios. Na juventude, sofreu preconceito dos colegas e, mesmo quando lançou as suas primeiras obras, foi ignorado pela crítica. Filho de um tipógrafo, foi incentivado pela família a cursar medicina, mas optou por engenharia civil, embora não tenha concluído a faculdade.

Somente com as noções adquiridas na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, conseguiu um emprego na área de engenharia no Ministério da Guerra, mas acabou aposentado por invalidez, pois as constantes crises provocadas pelo consumo excessivo do álcool não o deixavam trabalhar. Influenciado por Machado de Assis , foi um grande admirador da literatura russa. Entre as suas principais obras estão Recordações do Escrivão Isaías Caminha, Triste Fim de Policarpo Quaresma e Clara dos Anjos (1948), livro publicado 26 anos após a sua morte. Nas primeiras duas décadas do século 20, também ganhou destaque como contista. Crítico implacável da realidade brasileira, teve a coragem de romper com o nacionalismo ufanista, muito comum à época. Por isso, foi muito criticado pelos contemporâneos parnasianos por seu estilo coloquial que, anos mais tarde, seria uma das marcas registradas do modernismo.

limabarreto in2Como jornalista, começou a trabalhar em 1902, assinando artigos para os periódicos Correio da Manhã, Jornal do Commércio, Gazeta da Tarde e Correio da Noite, entre outros. Parte do seu trabalho publicado na imprensa foi escrito sob pseudônimos, entre os Rui de Pina, Dr. Bogoloff, S. Holmes e Phileas Fogg. Em 1907, junto com alguns amigos, editou a revista Floreal, mas não obteve sucesso. Sem dinheiro para bancar a publicação e com poucos anunciantes, tomou a decisão de encerrar a publicação com apenas quatro números editados. Marginalizado por seus colegas da Academia Brasileira de Letras, tentou, por duas vezes, conquistar uma cadeira de imortal. Na primeira delas, em 1919, obteve apenas dois votos. Na segunda tentativa, foi derrotado de novo.

O seu romance mais famoso, Triste Fim de Policarpo Quaresma, foi inicialmente publicado em folhetins do Jornal do Commércio, antes de ganhar a versão em livro. A obra, que ganhou diversas teses acadêmicas, foi adaptada para o cinema e para o teatro. Morreu, precocemente com 41 anos, vencido pela bebida. Boicotado pelos intelectuais e pela alta sociedade do Rio de Janeiro, o seu enterro foi muito concorrido  por pobres e anônimos suburbanos, sobre quem escrevia, que fizeram questão de acompanhar o seu corpo até o cemitério. Dois dias após a sua morte, aconteceu uma outra tragédia na família: o seu pai, João Henriques de Lima Barreto, que sofria de doenças mentais, morreu.

limabarreto-clara1Em 2003, a editora José Olympio relançou lançou o livro A Vida de Lima Barreto, biografia escrita pelo jornalista Francisco de Assis Barbosa. Ele construiu um retrato impecável do autor carioca. Essa obra, originariamente lançada em 1952, colaborou muito para o reconhecimento póstumo de um dos mais importantes e originais escritores do país. Em 2006, a editora Agir lançou Toda Crônica, primeira coletânea completa das crônicas que o autor escreveu para os jornais do Rio de Janeiro. Além das crônicas, o livro traz a última foto do autor, feita para a internação dele num hospício, em 1919.

Em 2008, a editora Martins Fontes lançou Histórias e Sonhos, livro de contos, em que o autor apresenta relatos bizarros, que incursionam pelo sobrenatural e pela ficção científica, sempre com veia irônica. A edição, a cargo do crítico Antônio Arnoni Prado, reconstituiu a seleção original feita pelo próprio Barreto em 1920. Em setembro de 2010, as editoras Cosac Naify, Loyola e Companhia das Letras lançaram, simultaneamente, as obras Diário do Hospício e Cemitério dos Vivos, Lima Barreto e a Política e Contos Completos de Lima Barreto. Em 2011, o romance Clara dos Anjos (foto) ganhou uma adaptação em quadrinhos feita pelo roteirista Wander Antunes e pelo ilustrador Marcelo Lellis.

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