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Rubem Fonseca teve o livro “Feliz Ano Novo” censurado pelo regime militar

feliz-ano-novo rubem-fonsecaFeliz Ano Novo

Lançado em 1975 pela Editora Artenova, o livro foi censurado pelo regime militar por conter muitas palavras consideradas obscenas. Com 144 páginas, compõe-se de quinze contos. O primeiro narra o assalto a uma residência luxuosa no réveillon. Os bandidos roubam, estupram, matam e ainda ficam com o final feliz. Ao comemorarem, saúdam-se com “feliz ano novo”, donde o título do conto e do livro.

Já no “Corações Solitários”, a ação transcorre na redação do jornal “Mulher”, onde um ex-repórter policial passa a redigir a coluna “Consultório Sentimental”. A narrativa desse conto se desenvolve em dois planos. No plano subjetivo, a luta do repórter para se manter no emprego, mesmo fora de lugar, desajustado. No plano exterior, surge o palpitar da redação, seus problemas, o desenvolvimento de uma tarefa: fazer um jornal para mulheres da classe C, de quem se julga saber tudo. Em “Botando Pra Quebrar”, um ex-presidiário vai trabalhar de leão-de-chácara. Ele só quer trabalho, comida e amor. Advertido pelo dono da boate de que gays e drogados não podem entrar, põe para fora importantes figuras sociais. Repreendido, quebra lustres, prateleiras, etc.

Passeio Noturno” (duas partes) trata de um executivo angustiado com os problemas da empresa em que trabalha. À noite, em seu carro luxuoso, ele sai para atropelar e matar pessoas indefesas, escolhendo, de preferência, uma mulher como vítima. Nas duas partes, o enredo se repete, mas, na segunda, um encontro casual faz com que o assassino acabe por revelar sua identidade à próxima mulher que irá atropelar. Ela fica sabendo quem ele é, mas o leitor não. Em todos os quinze contos, os temas são sempre fortes, densos e tensos. Para os críticos, não obstante a linguagem utilizada para dar mais realismo às cenas, o livro é uma obra prima da moderna literatura brasileira.

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José Rubem Fonseca
nasceu no dia 11 de maio de 1925, na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais. Ainda na infância migrou para o Rio de Janeiro, onde se graduou em ciências jurídicas e sociais. Em 1952, empregou-se como comissário num dos distritos policiais da capital carioca. Escolhido para se aperfeiçoar nos Estados Unidos, junto com mais nove policiais, aproveitou para estudar administração de empresas em Nova York. Exonerado em 1958, passou a trabalhar na empresa de eletricidade Light.

Estreou na literatura em 1963, com o lançamento do livro de contos “Os Prisioneiros”, no qual utilizou a sua experiência para narrar histórias policiais. Escreveu mais dois livros de contos — “A Coleira do Cão” (1965) e “Lúcia McCartney” (1967) — antes de enveredar pelo romance em 1973, com o “O Caso Morel”. Ganhou o Prêmio Jabuti em 1970, 1984 e 1993, além do Prêmio Camões, em 2003, e do Prêmio Machado de Assis, em 2015. Além de contos e romances, também escreveu roteiros para o cinema. Nesse segmento, ganhou o Kikito de Ouro do Festival de Gramado pelo filme “Stelinha” (1990) e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte pelo filme “A Grande Arte” (1991).

rubem-fonseca charge ft1Principais Romances
1973 — O Caso Morel
1983 — A Grande Arte
1986 — Bufo & Spallanzani
1990 — Agosto
1994 — O Selvagem da Ópera
2000 — O Doente Moliére
2003 — Diário de Um Fescenino
2005 — Mandrake, A Bíblia e A Bengala
2009 — O Seminarista
2011 — José



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