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Julian Barnes vem com uma trama simples e sedutora em O Sentido de Um Fim

 julianbarnes-sentido12 de junho de 2012
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A Editora Rocco está enviando para as livrarias o novo livro do escritor britânico Julian Barnes, O Sentido de Um Fim. Mais aclamado na França do que em seu país, tudo mudou para o autor depois da publicação original dessa obra em 2011. Em outubro, dois meses depois do lançamento, foi anunciado vencedor do prêmio Brooker Prize — o mais importante do Reino Unido — e acabou na lista dos mais vendidos. De acordo com o júri que o escolheu, o Sentido de Um Fim tem os registros da clássica literatura inglesa. “É primorosamente bem escrito, com uma trama bem desenhada, e traz profundas revelações a cada leitura”, diz o relatório de escolha. Julian Barnes, nascido em 19 de janeiro de 1946, já havia sido indicado para o prêmio outras três vezes pelos e no seu currículo constam 11 romances. O Sentido de Um Fim tem tradução de Léa Viveiros de Castro, 160 páginas e preço sugerido de R$ 24,00.

De acordo com o crítico Marcelo Rubens Paiva, do jornal O Estado de S. Paulo, Julian Barnes constrói uma trama simples e sedutora. Quatro amigos do “colegial” se destacam não por suas habilidades esportivas e sexuais. Diz Tony, o narrador: “Sim, é claro que éramos pretensiosos. Para que mais serve a juventude?” Causavam terror e admiração entre os professores ao contestar as origens da Primeira Guerra Mundial. Usavam termos como “Weltanschaung” e “Sturm und Drang”, gostavam de dizer “isto é filosoficamente autoevidente”, usavam relógio virado para o lado de dentro do pulso, como quem ignora o tempo.

julianbarnes in2Adrian, o mais inteligente e misterioso, conseguia encontrar contradições nas aulas e costumava citar: “A história é aquela certeza fabricada no instante em que as imperfeições da memória se encontram com as falhas de documentação”. Liam o Manifesto Comunista, Wittgenstein, Camus, Nietzsche, Orwell, Huxley. Eram meritocratas e anarquistas e afirmavam que todos os sistemas políticos e sociais pareciam corruptos. Não aceitavam outra alternativa que não fosse o caos hedonista. Apesar de estarmos nos anos 1960, Tony escutava Dvorák, Tchaikovsky e a trilha do filme Um Homem e Uma Mulher. “A maioria das pessoas não experimentou os anos de 1960 até os anos 1970. O que significa, logicamente, que a maioria das pessoas nos anos 1960 ainda estava experimentando os 1950. 

Eventualmente, o autor provoca, interfere: “Será que a conversa foi exatamente assim? Provavelmente não. Mas é como eu me lembro dela”. E o narrador imagina que num romance as coisas teriam sido diferentes. “De que adiantava ter uma situação digna de ficção, se o protagonista não se comportava como teria se comportado num livro?” Sentiu-se muito triste depois de beber numa festa. E quando uma garota passou e perguntou se ele estava bem, ele respondeu “acho que sou maníaco-depressivo”, pois achou mais interessante do que dizer “estou um pouco triste”. Até conhecer Veronica, garota impulsiva, com quem ficava nos agarros, sem saber se era virgem. Mas não podia reclamar, pois as garotas estavam permitindo muito mais do que suas mães tinham permitido. Chegou a conhecer a família da pretendente, que de repente o dispensou. Ironicamente, tiveram o chamado “sexo completo” depois do rompimento.

julianbarnes in1Tomou como lema da vida “time is on my side, yes it is” (Rolling Stones), se afastou dos amigos, até saber que a ex-namorada o trocou por Adrian, e que este, aos 22 anos de idade, se matou metodicamente, deixando um bilhete na porta do seu quarto em Cambridge: “Não entre. Chame a polícia”. “Eu sobrevivi. ‘Ele sobreviveu para contar a história’ — é assim que as pessoas falam, não é? A história não se resume às mentiras dos vencedores, como um dia afirmei. Ela é feita mais das lembranças dos sobreviventes, que, geralmente, não são nem vitoriosos nem derrotados.

Tony se aposenta. Aos 60 anos, solitário, recicla, limpa, decora o apartamento para conservar seu valor, já fez seu testamento, tem consciência de que as relações com a filha, genro, netos e ex-mulher, se não são perfeitas, são pelo menos sólidas. Diferentemente de Roth, que trata a velhice como um estorvo, e a degradação do corpo como a degradação do desejo, o protagonista de Barnes se conforma: “Aquelas pequenas diferenças de idade, tão cruciais e tão graves quando somos jovens, se desfazem. Nós acabamos todos pertencendo à mesma categoria, a dos não jovens. Eu mesmo nunca liguei para isso”.


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