carlosfuentes in117 de maio de 2012
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Morreu na tarde do dia 15/05/2012 o escritor Carlos Fuentes, aos 83 anos, vítima de problema cardíaco. Autor de mais de 50 obras, entre romances, ensaios, peças teatrais e contos, ele estava internado num hospital da capital mexicana para onde foi levado depois de passar mal. O médico Arturo Ballesteros, que o atendeu em sua residência, revelou a uma emissora de TV que o escritor teve “uma hemorragia intensa durante a noite derivada de uma úlcera”. Segundo ele, eram cinco horas da manhã (sete horas em Brasília), quando a mulher de escritor, Silvia Lemus, percebeu seu estado crítico. Quando foi atendido, ele, no entanto, estava em estado de choque.

 

Carlos Fuentes foi um dos principais responsáveis pela modernização da literatura hispano-americana, tratando de temas tão diversos como a questão da identidade mexicana e os meios adequados para expressá-la até críticas corrosivas ao governo do presidente americano George W. Bush a quem comparou, em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo em 2004, a Adolf Hitler e Josef Stalin. Filho de pais diplomáticos — daí ter nascido no Panamá, em 11 de novembro de 1928, embora fosse registrado como mexicano —, foi também um duro crítico do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México por 71 anos, até 2000, e que tem chances de retornar na eleição de julho.

 

carlosfuentes-gringo1Ele Fuentes também não perdoava os dirigentes de seu país por não combaterem com rigor o narcotráfico. Admirador de Machado de Assis, o escritor esteve no Brasil pela última vez em novembro, no Rio de Janeiro, onde voltou a conversar com o jornal O Estado de S. Paulo. Contou que finalizava o livro Federico en Su Balcón, no qual narra um encontro fictício com o filósofo alemão Nietzsche. O libro sairá no Brasil pela Editora Rocco, que edita sua obra. Preparava ainda El Baile del Centenario, romance histórico ambientado na Revolução Mexicana.

 

CARLOS FUENTES MACÍAS nasceu na Cidade do Panamá no dia 11 de novembro de 1928. Estudou na Suíça e nos Estados Unidos e foi embaixador do México na França. Lecionou na Universidade de Havard (Boston, Estados Unidos) e Cambridge (Inglaterra) entre outras de renome internacional. Viveu em grandes cidades como Quito (Peru), Montevidéu (Uruguai), Rio de Janeiro (Brasil), Washington (Estados Unidos), Santiago (Chile) e Buenos Aires (Argentina). Durante a sua carreira literária, foi laureado com diversos prêmios, como o Miguel de Cervantes em 1987. Seu principal romance foi Gringo Velho, escrito em 1985, que foi adaptado para o cinema em 1989 pelo cineasta Luís Puenzo, com Jane Fonda e Gregory Peck nos papéis principais. De suas obras completas, foram lançadas no Brasil A Morte de Artêmio Cruz (1962), Gringo Velho (1985), A Campanha (1990) e O Espelho Enterrado (1992).


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