dantealighieri in1Dante Alighieri

DANTE ALIGHIERI nasceu no dia 1.º de junho de 1265 na cidade de Florença. Morreu no dia 14 de setembro de 1321 na cidade de Ravenna.

Sua família, descendente do guerreiro Cacciaguida, possuía prestígio. Isso lhe valeu educação esmerada, sob orientação do filósofoo e retórico Brunetto Latini, um dos membros do conselho da comuna de Florença. Não é certo que ele tenha estudado na Universidade de Bolonha, embora se acredite ter estado naquela cidade em 1287. A partir dos 18 anos, como todo homem culto da época, escreveu poesias, influenciado pelo estilo de seu amigo Guido Cavalcanti. Teria sido amigo de Giotto di Bondone, que imortalizou seus traços juvenis na Capela de Bargello. O próprio poeta possuía noções de desenho: no aniversário da morte de Beatriz — sempre citada como sua amada e musa —, desenhou um anjo.

Foi na juventude que despertou seu interesse pelas ciências da época. Jamais deixou de participar ativamente da sociedade, permanecendo sempre em contato com todos os aspectos da vida florentina. Sua grande vontade de participar do destino da cidade levou-o à Política. Assim, engajou-se no partido que se opunha ao papa Bonifácio VIII, cujas pretensões ameaçavam a liberdade de Florença. Mas em 1301, seu partido foi vencido pelo adversário, que contava com o auxílio de Carlos de Valois (1270—1325). Foi, então, exilado e seus bens confiscados. Passou a ter uma vida errante, abrigando-se às vezes em Verona e Ravena. Foi nesta última que encontrou proteção.

dantealighieri in2Quando, em 1312, Henrique VII de Luxemburgo tentou estabelecer o poderio imperial na Itália, coroando-se imperador em Roma, vislumbrou a possibilidade de voltar para sua cidade. Para tanto, usou todos os recursos para fazer com que o imperador sitiasse Florença. Contudo, a inesperada morte de Henrique, em 1313, arruinou seu projeto. Jamais pôde retornar à sua cidade. Como escritor político, deixou o tratado em latim De Monarchia, expondo a necessidade de oposição ao poder temporal do papa e desenvolvendo a ideia de uma monarquia universal, personificada nos imperadores germânicos, detentores de toda autoridade sobre a terra, por direito divino.

Mas foi O Banquete uma de suas primeiras obras do exílio. Escrita com a intenção de ver revogado seu banimento, nela convida ao banquete da sabedoria todos os que têm sede de saber. Escrita em italiano, entre 1304 e 1307, é considerada uma verdadeira obra de vulgarização da cultura. Em seu tratado filológico Da Eloquência Vulgar, escrito em latim, classifica os inúmeros dialetos falados na Itália, ressaltando a existência de uma língua vulgar, utilizada pelos escritores das mais diversas regiões. Sua noção de uma língua comum, acima de quaisquer particularidades locais, implica a unidade italiana numa época em que a ideia de nação era praticamente inexistente. Além disso, como filologia moderna, considerou a língua literária como um modelo ideal, independentemente de modos de falar particulares.

Além dessas obras e da Vita Nuova (1294), que o havia consagrado como o mais talentoso adepto do doce estilo novo, escola poética da moda, escreveu também Epístolas — treze cartas cheias de retórica e erudição — e Questão da Água da Terra — texto de uma conferência pronunciada em Verona em 1320. Mas foi, sem dúvida, a Divina Comédia que o imortalizou. Nela, o trágico não constitui elemento essencial, e a língua e o estilo empregados são simples e naturais. Acompanhado por Virgílio, o poeta percorre o inferno e o purgatório. Visita o paraíso, guiado por Beatriz. Virgílio, para ele, representava a Razão e a Sabedoria Humana. E Beatriz — a noiva da juventude, jamais esquecida —, a Revelação e a Sabedoria Divina.

 

 


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