miguel-a-asturias1Miguel Astúrias

MIGUEL ÁNGEL ASTÚRIAS nasceu no dia 19 de outubro de 1899, na Cidade de Guatemala. Morreu no dia 9 de junho de 1974, na cidade de Madri, Espanha.

Nasceu durante a ditadura de Manuel Estrada Cabrera, regime que perdurou até 1920, durante o qual seu pai perdeu o cargo de juiz e sua mãe o posto de professora, por não concordarem com medidas antiestudantis impostas pelo governo. Com a família obrigada a viver numa pequena cidade interiorana, manteve intenso contato com os indígenas, o que aproveitaria mais tarde como precioso material literário. Com outros estudantes da Universidade Nacional, onde cursou Direito, fundou, em 1922, a Universidade Popular, com o objetivo de alfabetizar o povo. A iniciativa foi bem sucedida, chegando a reunir mais de dois mil alunos.

Após defender a tese de doutorado, atuou como advogado de defesa de um oficial acusado de assassinar um superior. A duvidosa condenação do réu o levou a escrever violentos artigos antimilitaristas. Para evitar represálias, seus pais o enviaram para a Europa. Em Paris, França, aprofundou-se no estudo dos ritos e religiões maias, traduzindo para o espanhol o livro sagrado dos maias-quichés, baseado na tradução francesa. Em 1925, publicou seu primeiro livro de poesias. Ao mesmo tempo, iniciou o esboço de Lendas da Guatemala, espírito das velhas obras indígenas que tinha lido. Se mais importante romance desta época, porém — O Senhor Presidente —, reflete a vida sob a ditadura de Manuel Estrada Cabrera.

Voltou para o seu país em 1933, onde trabalhou como jornalista. Nesse período, escreveu novos livros de poesia. Em 1944, com a eleição do presidente Juan José Arévalo, foi nomeado adido cultural no México. Em 1948, passou a ministro-conselheiro da Embaixada de Buenos Aires. Em Homens de Maíz (1949), considerada sua obra mais importante, expõe uma visão poética da pobreza, da desesperança e do misticismo do índio guatemalteco. Na trilogia Vento Forte (1950), O Papa Verde (1954) e Os Olhos dos Enterrados (1959) denunciou e protestou contra a situação dos trabalhadores das plantações de bananas do país. Durante o governo de Jacabo Arenz foi nomeado embaixador em El Salvador. Com a deposição do presidente, viu-se destituído de sua cidadania e exilou-se na Argentina.

No país portenho, publicou vários livros de poesia, contos, romances e peças teatrais. Em 1962, contudo, foi obrigado a deixar aquele país, também por questões políticas. Seguiu, então, para a Itália, onde colaborou, na cidade Gênova, com uma organização de intercâmbio cultural. Seu regresso à Guatemala, após doze anos de exílio, só foi possível em 1966, com a eleição de Júlio César Mendez Montenegro. Nesse mesmo ano, foi contemplado com o Prêmio Lênin de Literatura, no valor de US$ 28 mil. Em 1970, renunciou ao cargo de embaixador em Paris e passou a se dedicar exclusivamente à literatura. Em 1967, a Academia Sueca, pelo conjunto da obra, o agraciou com o Prêmio Nobel de Literatura.


 


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