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“O Adolescente”, do Dostoiévski, conta o drama de um filho ilegítimo

o-adolescente15aFiódor Dostoiévski

21/12/2015 — Já está nas livrarias brasileiras a obra “O Adolescente”, do russo Fiódor Dostoiévski. Segundo a crítica especializada, esse é um dos cinco grandes romances do autor, ao lado de histórias como “Crime e Castigo” e “Os Irmãos Karamazov”. No entanto, é também o menos popular, em parte devido à sua estrutura moderna, que não foi muito bem compreendida pela crítica do século XIX. A edição lançada agora pela Editora 34 é a primeira versão do romance. A história conta a vida do Arkadi Dolorúki, de 20 anos, filho ilegítimo de um proprietário de terras. Ele foi criado num internato. Na vida adulta, sonha em se tornar milionário para ser aceito na fechada sociedade russa. Na sequência, envolve-se em brigas por causa da herança, com intelectuais revolucionários e chantagens.

dostoievski-f1Fiódor Mikhailovich Dostoiévski nasceu no dia 11 de novembro de 1821, na cidade de Moscou, Rússia. Morreu no dia 9 de fevereiro de 1881, na cidade de São Petersburgo. Odiava os tiranos, a começar pelo próprio pai. Com a morte prematura da mãe, desejou que o mesmo sucedesse com o pai. O genitor acabou sendo assassinado por seus servos camponeses. Na escola militar onde estudava, culpou-se por ter desejado a morte do pai. Tornou-se, assim, muito solitário. Na política, envolveu-se na conspiração para assassinar o czar Nicolau. Descoberto, foi preso e condenado à morte. Na hora “h”, o czar resolveu comutar a pena para trabalhos forçados na Sibéria.

No exílio, escreveria o primeiro de uma série de romances que o tornariam um clássico: “Recordações da Casa dos Mortos”. Cumprida a pena, voltou para São Petersburgo (1859), cidade que seria retratada em “Crime e Castigo”, “Memórias de Um Subterrâneo” e “Noites Brancas”. Ao mesmo tempo, resolveu se dedicar ao jornalismo, fundando o jornal “O Tempo”. Seguiu-se uma fase perdulária, na qual se esvai quase tudo o que ganhou com a publicação dos seus romances. A crise econômica é marcada também por uma crise de saúde, que o levou a um estado de angústia completo. A sua visão geral do mundo é muito pessimista. Começa um processo de abandono da Rússia. Muda-se, em 1867, para Genebra, Suíça.

Em 1871, conseguira juntar dinheiro suficiente para retornar à Rússia. Chegando lá, assumiu o cargo de redator-chefe do jornal “O Cidadão”, renovando o jornalismo russo ao introduzir uma espécie de tribuna para a livre discussão dos acontecimentos. É também desse período, o livro “Os Possessos”, no qual repudia os antigos companheiros de luta política, acusando-os de planejar revoluções apenas para combater o tédio. Com a publicação dos seus últimos romances — “O Adolescente” e “Os Irmãos Karamazov” —, passou a ser considerado o maior autor russo do seu tempo. Sua obra traduz em toda a sua extensão o drama do país e do povo durante o século XIX. Ao lado da esposa — e sem problemas financeiros —, passou seus últimos anos foram bastante tranquilos.



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