banner-topo

Jacinto Benavente, a voz espanhola do século XX

jacinto-benavente in1JACINTO BENAVENTE Y MARTINEZ linha-gif

Nasceu em Madri, Espanha, no dia 12 de agosto de 1866. Seu pai, nascido em Múrcia, era médico cirurgião. De sua mãe, Venancia Martinez, pouco se sabe. O escritor nasceu quando a Espanha era dominada por uma mulher, a rainha Isabel II, filha de Fernando VII. Foi uma criança dotada de um julgamento precoce, pouco propensa à devoção, e até inclinada à revolta. As leituras morais recomendadas pelos pais e professores não eram do seu agrado. Preferia devorar, às escondidas, os romances de inspiração melodramática de Manuel Fernández y Gonzalez e de Enrique Pérez Escrich. Lia também Miguel de Cervantes. Nada disso impediu, entretanto, que ele fosse um razoável aluno do Colégio São José.

Terminados os estudos secundários no Instituto Santo Isidoro, adolescente, prestou exame para o curso de Direito, em 1882, na Universidade Central de Madri. Foi por esse tempo que ele se apaixonou pelo teatro. No que foi sobremaneira ajudado pelo fato de possuir um pai que se tornara o médico preferido de José Echegaray, dramaturgo de renome, o que lhe permitiu assistir a numerosas estreias nos teatros da capital espanhola. Depois que o pai morreu, abandonou os estudos e passou a viver no ócio e na boemia. No curso desses anos, escreveu cerca de uma dezena de peças, que foram apresentadas ao diretor do Teatro da Comédia, o famoso ator Emilio Mario.

Em 1894, Emilio afinal consentiue em fazer representar O Ninho de Outrem, uma encantadora comédia em três atos, na qual o autor se revelou cético e divertido, com uma profunda verve satírica. Quatro anos depois, ele já tinha atrás de si uma certa bagagem literária, pois escrevera nesse período de turbulência da política espanhola Cartas de Mulheres, Teatro Fantástico, Gente Conhecida, O Marido da Téllez, Em Convalescença, A Trupe dos Comediantes e O Repasto das Feras, além de uma adaptação de Don Juan, de Molière. Goza de incontestável prestígio e é bem conhecido nos teatros da capital.

Seu estilo, embora leve em conta os seus predecessores como Enrique Gaspar e José Echegaray, traz métodos novos ao teatro espanhol: os personagens têm expressão psicológica mais direta, a análise das paixões é mais exata e tem maior audácia no pensamento. Nele, a frase se aguça mais, o jogo de palavras mantém-se espirituoso, a ironia vem em socorro do coração. Em suma, aparece como um autor mais engajado. Ataca tanto os burgueses quanto os aristocratas. Seu teatro desperta convulsões nos primeiros e revulsões nos segundos.

jacinto-benavente in2No curso dos seis anos seguintes, os teatros espanhóis representam seus de trabalhos: Conto de Amor, adaptação de Shakespeare, as comédias O Esnobismo e Rosas de Outono, além de outras cerca de vinte comédias. Antes dos 40 anos, recebeu a primeira e mais singela homenagem pública que lhe marcaria por toda a vida: o Teatro Espanhol promoveu o Festival Benavente, no decorrer do qual se leu um estudo sobre sua obra. Em seguida, escreveu O Dragão de Fogo, drama autêntico em três atos, A Note de Sábado, espécie de romance cênico em cinco quadros, Princesa Bebê, qualificada pelo autor como Cenas da Vida Moderna em Cinco Atos.

Em 1906, empreendeu a primeira viagem à América Latina com a Companhia de Teatro Manabuerro. Autor e intérpretes alcançaram franco êxito. No ano seguinte, ele se superou escrevendo a sua obra-prima Os Interesses Criados, comédia de marionetes em dois atos e um prólogo. Em 1908, criou A Patroa. Em 1912, a Real Academia Espanhola da Língua concedeu-lhe o Prêmio Piquer. Em seguida, a peça Mal-Amada obteve retumbante sucesso, só comparado a Os Interesses Criados. A Primeira Guerra Mundial deu-lhe oportunidade para criticar o mundo belicista em A Cidade Alegre e Despreocupada. Três anos após o término do conflito, voltou a viajar pela América Latina e pelos Estados Unidos. Em 1922, o supremo reconhecimento de seu trabalho: a Academia Sueca confere-lhe o Prêmio Nobel de Litetatura.

Em 1935, agradecendo uma homenagem que lhe prestavam no Teatro de Málaga, pronunciou um discurso em que condenou o ideal republicano. No ano seguinte, estourou a revolução e o escritor foi detido, ficando em prisão domiciliar até o fim da guerra civil. Logo em seguida, compôs-se com os revolucionários e foi nomeado presidente da Comissão de Teatro nas vésperas da vitória do general Francisco Franco. Em 1944, escreveu Bodas de Ouro. Logo depois, embarcou novamente para Buenos Aires, onde foi recebido com muito entusiasmo. Até o fim da vida não cessou de receber homenagens. Faleceu em sua casa, em Madri, no dia 14 de julho de 1954, com a idade de 88 anos.

Os críticos costumam classificar a sua obra em categorias: obras realistas, englobando as comédias de costumes, as comédias de sátira social, as comédias de caráter e os dramas; obras de imaginação, infantis ou simbólicas, que absorvem as traduções e as adaptações. É considerado um dos expoentes da literatura espanhola em todos os tempos. Dele, disse o crítico espanhol Manuel Sánchez Camargo: “Benavente trouxe à cena uma humanidade sem fronteiras (...). Uma das grandes seduções de seu teatro é o senso poético. Porém, este é tão íntimo, tão pouco aparente na estrutura do diálogo, que permanece quase invisível, tal uma flor que de um lugar longínquo nos enviasse o seu perfume.”

Frase: “Na boca de um mentiroso até a verdade é suspeita”


© 2013 Tio Oda - Todos os direitos reservados