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Documentos inéditos sobre Cervantes descrevem a sua atividade de coletor de impostos

cervantes1Cervantes, o coletor

Quatro documentos sobre o escritor Miguel de Cervantes, autor de “Dom Quixote de La Mancha”, foram encontrados em Sevilha, na Espanha, um deles assinados pelo romancista. Segundo o jornal El País, entre os documentos está um manuscrito descoberto na cidade de La Puebla de Cazalla e datado de 5 de março de 1593, que descreve o trabalho do autor como coletor de impostos do rei Felipe II. De acordo com o pesquisador que encontrou o documento três anos atrás, José Cabello Núñez, o manuscrito comprova a passagem do escritor por La Puebla, algo que era uma incógnita até então. Os papéis também ligam Cervantes ao provedor da Companhia das Índias Orientais, Cristóbal de Barros.

Um documento, assinado por Barros, solicitava o pagamento de um salário para o romancista, empregado por 48 dias como comissário da Fazenda Real. O terceiro papel confirma que o escritor havia prestado seus serviços entre 21 de fevereiro e 28 de abril de 1593. Já o último documento, assinado pelo escritor, é uma procuração que autoriza Magdalena Enríquez a receber seu salário. A mulher, identificada como uma confeiteira de Sevilha, nunca havia sido ligada à história de Cervantes. O escritor é geralmente relacionado a três mulheres: Ana Franca de Rojas, com quem teve uma filha; Catalina de Salazar y Palacios, com quem se casou em 1584; e Jerónima Alarcón, de quem o romancista aparece como fiador e pagador de algumas casas em 1589.

cervantes2MIGUEL DE CERVANTES SAAVEDRA nasceu no dia 29 de setembro de 1547, na localidade de Alcalá de Henares, Espanha. Morreu no dia 22 de abril de 1616, na cidade de Madri. Os dados sobre a sua infância e adolescência não são seguros, mas é quase certo que aprendeu gramática e retórica com Juan López de Hoyos, em Madri, onde compôs um dos seus primeiros sonetos (1567), em homenagem a Isabel de Valois, terceira esposa do rei Felipe II. Em 1569, partiu para Roma como camareiro do cardeal italiano Júlio Acquaviva. Assim, pôde admirar na Itália as grandes obras da Renascença. Aprendeu o idioma e leu fluentemente a obra de Ludovico Ariosto, Torquato Tasso e a prosa política de Maquiavel.

Em 1570, alistou-se nas tropas pontifícias para combater os turcos. Nos combates, demonstrou grande coragem e seu nome correu o vasto império espanhol como sinônimo de valentia e dedicação. Logo fico conhecido como “o maneta de Lepanto”, pois perdeu na luta a mão esquerda. Quando regressava à Espanha (1575), a galera em que viajava foi tomada em alto mar por navios turcos. Teve início, então, uma das principais e mais dolorosas etapas da sua vida: o cativeiro na Argélia, durante um período de cinco anos. Foi resgatado em 1580 e levado de volta para a Espanha. Mas na sua terra ninguém mais se lembrava dele. Assim, para subsistir, engajou-se como soldado nas tropas de Filipe II. Após missão no norte da África, foi enviado a Portugal, ocupado pelas tropas do Duque de Alba.

don-quixote-2000aDesenganado com a carreira militar, não tardou a se dedicar mais intensamente à literatura. Em Madri, procurou concluir “Galateia”, obra iniciada no cárcere e que celebra uma visão plácida e repousante do mundo. Algum tempo depois, empregou-se como coletor de impostos. Acusado injustamente de desviar verbas, viu-se enredado num processo que o levou à prisão, onde se supõe tenha iniciado sua obra prima — “Dom Quixote de La Mancha” —, cuja primeira parte foi editada em janeiro de 1605. Concebida como novela curta, num caso real de loucura, destinava-se a combater a cavalaria andante. O livro fez grande sucesso e entrou para a cultura e o folclore de países do mundo inteiro. A segunda parte surgiu em 1615, quando o autor já atingira o auge do talento em obras teatrais e novelas. Tornou-se um clássico da literatura mundial.



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