banner-topo

Horácio Flaco, há uma medida para cada coisa

horacio in1Horácio
linha-gif

QUINTO HORÁCIO FLACO (Quintus Horatius Flaccus) nasceu no dia 7 de dezembro de 65 antes de Cristo, na cidade de Venúsia, uma comuna italiana na região da Basilicata. Morreu no dia 27 de novembro de 8 antes de Cristo, na cidade de Roma.

Embora nascido na província, estudou na capital do Império Romano. Seu pai tinha uma pequena propriedade e pretendia que o filho fosse instruído como os filhos dos cavaleiros e dos senadores. O rapaz tornou-se, então, discípulo dos grandes mestres romanos, entre eles o gramático Orbílio Pupilo (113-012 a.C.), que o obrigou a ler a Odisseia, de Homero. Aos 20 anos, foi a Atenas para completar os estudos e entusiasmou-se pela rígida moral do estoicismo, a qual adotou moderadamente em sua vida. Mas tarde, se revelaria muito mais inclinado para a filosofia de bem-estar dos epicuristas.

Em 44 antes de Cristo, Caio Bruto matou Júlio César e, a seguir, passou a recrutar jovens para combater pelos ideais republicados contra Otávio, o primeiro imperador. Para defender a liberdade republicana, interrompeu os estudos. Foi nomeado tribuno militar e comandou uma legião. Derrotado na decisiva Batalha de Filipos (42 a.C.), desiludiu-se da causa que defendia e voltou para Roma. Descobriu, então, que precisava trabalhar, pois seus bens haviam sido confiscados e vendidos. Conseguiu emprego de secretário de um pretor, com a tarefa de supervisionar livros públicos de contas. Ao mesmo tempo, decidiu-se a escrever. Começou com Épodos, poemas satíricos nos quais retrata numerosas personagens políticas e literárias da época. Perturbado pela recente experiência militar, dedicou alguns desses poemas aos cidadãos, maldizendo as guerras civis.

horacio-venosa1Com esse trabalho inicial, ganhou a estima dos poetas Públio Virgílio e Lúcio Vário Rufo, que, em 38 antes de Cristo, apresentaram-no a Caio Mecenas. A primeira entrevista com o poderoso ministro do imperador Otávio Augusto foi um acontecimento decisivo na sua vida. Com o novo e influente amigo, pôde se libertar das condições precárias de vida que estava enfrentando. O sucesso que alcançou com os Épodos, cuja publicação só terminaria em 30 antes de Cristo. Mas, em 35 antes de Cristo, já tinha iniciado outra obra — As Sátiras —, terminada em 29 antes de Cristo. Em 32 antes de Cristo, ganhou de Mecenas uma casa de campo em Trívoli e se afastou da vida agitada de Roma. Nos seguintes, escreveu os primeiros livros das Odes, publicadas em 23 antes de Cristo.

A sua produção literária continuou com as Epístolas, cujo primeiro livro apareceu em 20 antes de Cristo. Como o imperador Otávio Augusto reclamou de não ter sido citado na obra, dedicou-lhe a primeira epístola do segundo livro, além da Epístola aos Pisões. Assim homenageado, o imperador encarregou o poeta de compor um hino à deusa Diana (Artemis para os gregos) e ao deus Apolo, para abrilhantar os Jogos Seculares. Terminou produzindo o Canto Secular. Mas sua obra prima são mesmo as Odes. Nelas, demonstrando um conhecimento perfeito do idioma latino, conseguiu adaptar o poema à métrica grega. Os três primeiros livros são dedicados a Mecenas, mas citam também Otávio Augusto e Virgílio. Nas odes cívicas, ele celebra Roma e sua grandeza, indica meios de conseguir força e prosperidade e aponta efeitos benéficos da política imperial. Orienta-se na obra pela ética: a moral da sensatez, da justa medida, expressa em sua célebre frase das Epístolas — “há uma medida para cada coisa”.

 


© 2013 Tio Oda - Todos os direitos reservados