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FRANCESCO PETRARCA nasceu no dia 20 de julho de 1304, na cidade de Arezzo, Toscana, Itália. Morreu no dia 19 de julho de 1374, na localidade de Arquà, Vêneto.

Viveu parte de sua infância e adolescência na França. Realizou seus primeiros estudos em Bolonha e em Montpellier. Em 1326, atraído pela carreira eclesiástica, recebeu as ordens menores e se instalou em Avinhão, na época residência papal. Nesse período, tornou-se conhecido pelos poemas que escrevia e se aprofundou no estudo dos grandes clássicos. Em 1330, tendo já desistido da vida religiosa, foi para Lombez, na Gasconha. Aproveitando seu enorme prestígio junto a príncipes e papas, começou a viajar pela Europa.

Essas viagens serviram para ampliar consideravelmente seus conhecimentos. Em 1336, depois de ler as Confissões, de Santo Agostinho, experimentou uma profunda crise religiosa, que o levou a se refugiar durante algum tempo em Vaucluse. Alguns anos depois, já era considerado um poeta de primeira linha. Não ficou alheio aos acontecimentos de sua época. Através de cartas e poemas, interveio na vida pública em várias oportunidades. Assim, lutou pelo retorno do papa a Roma, apoiou as reformas políticas de Cola di Renzi e, sobretudo, em 1353, tentou mediar o conflito entre Gênova e Veneza, que estavam em guerra pela supremacia no Mar Mediterrâneo.

Contudo, mais artista do que homem de ação, foi na literatura que sua versátil e irrequieta personalidade encontrou o caminho da realização. Sua obra Canzionere, escrita em italiano, revelou um dos maiores poetas de todos os tempos. Obedecendo a uma rigorosa estética, a maior parte dos versos foi inspirada no seu grande amor por Laura, que morrera em 1353. Selecionando o que havia de mais vigoroso na tradição lírica neolatina dos dois séculos anteriores, conseguiu expressar com extrema sensibilidade as paixões humanas e, além disso, criou uma linguagem lírica moderna. O poema alegórico Trionfi, também escrito em italiano, é uma versão histórica e simbólica do grande tema tratado no Canzionere. Partindo do autobiográfico, ele atinge o homem universal, abrangendo toda a evolução da humanidade.

Foi em latim que compôs a maior parte de suas obras. Epistolae Metricae, por exemplo, contém vários trabalhos: confissões íntimas, anedotas autobiográficas, cartas de consolo e exortação, reflexões morais, proposições literárias, etc. No poema épico Africa — relato da segunda guerra púnica —, ao lado de sentimento de miséria de todas as coisas da terra coexiste uma desolada percepção da efemeridade do tempo. De Viris Illustribus reúne uma série de biografias de famosas personalidades; De Vita Religiosa fornece as bases teóricas e a descrição de um dos temas essenciais do poeta: a solidão. Em Secretum Meum Sive de Contemplu Mundi, um dos seus mais importantes trabalhos, faz uma autoanálise sincera e fundamental para a compreensão de sua vida interior e o desprezo pelo mundo. Considerado um dos expoentes do fim da Idade Média e visto como um dos precursores do espírito moderno, foi talvez o escritor que mais influenciou a cultura da Europa Cristã.

 

 


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