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Virgílio, considerado o maior poeta latino de todos os tempos

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PÚBLIO VIRGÍLIO MARO nasceu no dia 15 de outubro do ano 70 a.C., na localidade de Andes, Gália Cisalpina, Itália. Morreu no dia 21 de setembro do ano de 19 a.C., na cidade de Brindisi.

Fez os primeiros estudos em Cremina, viajando depois para Milão e, mais tarde, para Roma, onde se tornou discípulo de Elpídio, célebre professor de retórica. Por volta de 45 a.C., pouco antes do assassinato de Júlio César, passou a morar nos arredores de Nápoles, onde estudou com o epicurista Siro e conheceu Horácio. De regresso à sua terra natal, dedicou-se à poesia e aos estudos relacionados a ela.

Todavia, no ano de 41 a.C. a propriedade paterna foi atingida pelo confisco ordenado pelos triúnviros, principalmente Otávio, que passaram a distribuir terras aos seus soldados veteranos. Usou, então, suas relações: fez uma viagem a Roma para buscar o auxílio de Asínio Polo, antigo governador da Gália Cisalpina e amigo de Caio Mecenas, homem da corte do triúnviro. Apesar dos seus esforços, a família perdeu as terras. Mas, graças a Mecenas, recebeu como indenização uma propriedade na Campânia. Desde então, sua vida se dividiu entre Roma e Nápoles.

Em 37 a.C. publicou As Bucólicas, que havia iniciado em 42 a.C. e que o distinguem como uma dos maiores poetas de Roma. Tornou-se um dos membros mais importantes do círculo literário da corte, sob a proteção de Mecenas, a quem dedicou sua segunda obra — as Geórgicas —, composta entre 37 e 30 a.C. O resto de sua vida seria consagrado à Eneida. Em 19 a.C., quando planejava dedicar mais três anos ao aperfeiçoamento desse poema épico, empreendeu uma viagem à Grécia e ao Oriente, a fim de obter os conhecimentos necessários à revisão e à elaboração de alguns trechos da obra. Em Mégara, sofreu uma insolação, que lhe foi fatal.

Nas Bucólicas, também conhecidas como Éclogas, ele reuniu dez poesias de caráter idílico pastoral, influenciadas pela obra do grego Teócrito de Siracusa, criador do poema pastoral. Nelas, contudo, não imita seu intenso realismo e torna a poesia pastoral mais ideal, literária e artificial. No poema didático Geórgicas, discorre, em quatro livros, sobre o cultivo dos campos, as árvores, o gado e as abelhas. Insere também extensas digressões relacionadas à morte de Júlio César, o império de Otávio Augusto e as guerras do Oriente. Sua obra mais importante é, sem dúvida, Eneida, considerada o maior poema da romanidade.

 A lenda do personagem Eneias, divulgada em Roma após as guerras púnicas, ofereceu ao poeta um tema que lhe permitiu fundir o maravilhoso ao real, já que para alguns a origem troiana de Roma era indubitável. Ao fundir o presente ao passado, história e lenda, realidade e fantasia, criou uma verdadeira epopeia, que tem como protagonista, mais que Eneias, o espírito eterno de Roma, cuja história é exaltada e glorificada. A obra foi composta em duas partes nitidamente distintas e separadas, mas de igual extensão. A primeira (livros I a IV) tem como modelo a Odisseia e narra as viagens de Eneias até a sua chegada à Itália. A segunda, inspirada na Ilíada, relata as guerras pela conquista do Lácio.

Mas a obra ficou inacabada em alguns versos e há incoerências na composição e na estrutura narrativa. Além de ter substituído as versões latinas de Homero nas escolas romanas, a Eneida foi modelo de toda a poesia durante a Idade Média e teve presença marcante na Renascença. À medida que se retornava aos cânones da Antiguidade Clássica, constituía-se a tradição de um Virgílio mágico e multiplicavam-se as refundições e traduções do poema. As suas outras obras também exerceram bastante influência na Renascença. As Bucólicas, especialmente, vincularam-se à formação do Classicismo, influindo no desenvolvimento da poesia pastoral do século XV e no teatro. As Geórgicas tiveram abundantes traduções, pois era tida como um modelo de elegância literária e como documento da civilização antiga.


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