oswald-de-andrade in1Oswald de Andrade
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JOSÉ OSWALD DE SOUZA ANDRADE nasceu no dia 11 de janeiro de 1890 e faleceu no dia 22 de outubro de 1953, na cidade de São Paulo.

Considerado a personalidade mais dinâmica do modernismo brasileiro, teve a vida tão agitada e polêmica quanto a sua obra. Descendente de uma família abastada, terminou pobre e incompreendido, após viagens e peripécias, várias uniões conjugais e incontáveis rixas literárias. No Ginásio de São Bento, na capital paulista, onde se formou em Ciências e Letras, ouviu de um velho professor que ia ser escritor. Isso decidiu, em 1907, sua carreira. Em 1912 fez uma viagem à Europa, onde travou contato com as vanguardas artísticas que então se manifestavam: o futurismo e o cubismo. De volta ao Brasil, travou conhecimento com o pintor Di Cavalcanti e com o escritor Mário de Andrade.

oswald-de-andrade in2Seu primeiro livro, escrito em francês, em colaboração com Guilherme de Almeida, foi publicado em 1916. Tratava-se de duas peças, sendo que uma — Leur Âme (Sua Alma) — foi representada no Teatro Municipal de São Paulo, sem maior repercussão. Junto com Di Cavalcanti e Mário de Andrade, foi um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna de 1922. O movimento foi lançado com um artigo publicado na imprensa, sob o título O Meu Poeta Futurista, o qual fazia referência à obra Paulicéia Desvairada, de Mário de Andrade. Antes, havia defendido a pintora Anita Malfatti dos ataques de Monteiro Lobato, no artigo Paranóia ou Mistificação? Em 1922, lançou o livro Os Condenados, primeiro volume da série A Trilogia do Exílio, em que adota uma técnica cinematográfica de narrativa.

Conheceu a pintora Tarsila do Amaral também em 1922, com quem viajou, no ano seguinte, à Europa. No Velho Continente, conheceriam Blaise Cendrars, Fernand Léger, Constantin Brancusi e outros nomes da vanguarda. Em 1923, concluiu as Memórias Sentimentais de João Miramar, publicado em 1924, com capa ilustrada por Tarsila do Amaral. Era o primeiro romance revolucionário constituído de fragmentos justapostos por processo de montagem. Ainda em 1924, publicou o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, em que propugna pela síntese, contra a morbidez romântica, pelo equilíbrio geométrico e pelo acabamento técnico.

oswald-de-andrade in3Casou-se com Tarsila do Amaral em 1926. Com ela viveu em comum até 1930. Em 1928, inspirado numa tela da esposa, lançou um novo movimento — a Antropofagia — e uma nova declaração de princípios — o Manifesto Antropofágico — que, com o livro Pau-Brasil, são considerados as formulações básicas do modernismo. Em 1931, deu uma guinada política em sua vida ao aderir formalmente ao comunismo. Em 1933, publicou Serafim Ponte Grande, em que leva às últimas consequências as experiências anteriores de Memórias Sentimentais de João Miramar.

Na década de 1950, tratou de erigir a Antropofagia a concepção filosófica, especialmente com a série de artigos A Marcha das Utopias e A Crise da Filosofia Messiânica. Marginalizado durante muito tempo por um tipo de atitude negativista, que procurava valorizar-lhe o anedotário para desvalorizar-lhe a obra, só viria a ser redescoberto na década de 1960 pelos poetas concretistas. A peça O Rei da Vela, de sua autoria, que só foi encenada em 1967 pelo Teatro Oficina de São Paulo, sob a direção de José Celso Martinez Correa, deu a ele a glória que lhe negaram em vida: o reconhecimento de ter sido um dos fundadores do teatro moderno brasileiro.

 

 


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