a-paixao-de-joana-darc1A Paixão de Joana D´Arc

LA PASSION DE JEANNE D´ARC foi lançado nos cinemas da França no dia 25 de outubro de 1928. A estreia mundial havia se dado, porém, no dia 21 de abril de 1928, na Dinamarca. Chegou aos Estados Unidos no dia 28 de março de 1929.

Obra-prima de Carl Dreyer. Foi o seu último filme mudo e o melhor já feito sobre Joana D´Arc, segundo a crítica especializada. O filme deu fama ao diretor, embora, como muitos de seus trabalhos anteriores, tenha tido fraco desempenho nas bilheterias. Uma cópia da versão original — perdida há meio século — foi redescoberta num hospício norueguês na década de 1980. Outras cópias foram destruídas quando o depósito em que estavam guardadas pegou fogo. As duas versões que circularam subsequentemente consistiam em sobras.

O filme foi baseado essencialmente nas transcrições oficiais de atas do julgamento de Joana D´Arc. Foi realizado apenas oito anos depois de a mártir ter sido canonizada na França e dez anos após o fim da Primeira Guerra Mundial, dois fatos cruciais para a interpretação do diretor. Os capacetes utilizados pelos ocupantes ingleses em 1431 lembram os da guerra recente. Os espectadores de 1928 viram o filme como um documentário histórico. Joana D´Arc é interpretada por Renée Falconetti, uma atriz de teatro descoberta em uma comédia de bulevar, que fez o papel sem o uso de maquiagem. Ela e seus interlocutores são filmados quase que exclusivamente em closes.

Embora a interpretação da atriz seja uma das mais determinantes da história do cinema, ela não fez nenhum outro filme. Antonin Artaud aparece em seu mais memorável papel, como o compreensivo irmão Jean Massieu. A abordagem radical do diretor na construção do espaço e a intensidade lenta do seu estilo de câmera móvel tornam o filme “difícil”. Como todos os grandes filmes, este reinventa o mundo desde os seus alicerces. O filme é também doloroso, como o são todas as tragédias do diretor, mas essa versão da história da santa francesa, segundo a crítica, continuará vivendo muito tempo depois que a maioria dos filmes comerciais tiverem se apagado da memória de todos.


 

 

 

 



© 2017 Tio Oda - Todos os direitos reservados