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Categoria: Músicos
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altamiro-carrilho in1Altamiro Carilho

15/08/2012 — O flautista Altamiro Carrilho morreu na manhã desta quarta-feira (15/08/2012) no Rio de Janeiro, aos 87 anos. Ele tinha câncer e havia passado 17 dias hospitalizado mês passado. Essa semana voltou a passar mal e foi internado mais uma vez. Ele deixou muita gente de queixo caído desde que deixou Santo Antônio de Pádua, sua terra natal, e saiu pelo mundo com uma flauta transversal e uma infalível escolha de repertório.

Muito antes de ser chamado pelo prestigiado flautista francês Jean Pierre Rampal como “o melhor do mundo”,  precisou justificar cada nota que tocava, a começar pelos pais. Filho de família musical desde os tataravôs, passando por bisavôs, tios e primos, teve algo parecido com uma flauta aos 5 anos de idade, quando ganhou de presente de Natal uma peça de lata com furos que lembrava um instrumento de sopro. Organizando as notas com sentido rítmico e melódico, o menino começou a fazer o pai perceber que daquele mato sairia cachorro.

Aos 9 anos, foi admitido para tocar caixa em uma fanfarra, ao mesmo tempo em que se tornava um exímio construtor de flautas. Sua técnica consistia em serrar perto do ombro do bambu e furá-lo com ferro quente. A cada buraco que fazia, tocava para testar os sons. A cada teste, treinava os ouvidos e a embocadura. Até que um carteiro passou por sua casa e ouviu o som. “Quem está tocando?”, perguntou para a mãe dele. “É a flautinha de bambu do meu filho”, respondeu Dona Carrilho. Ele, então, saiu na porta e provou, aos 11 anos, que a mãe não estava brincando. O carteiro, que também era apaixonado por flautas, ficou besta e decidiu dar aulas de graça para o garoto, emprestando sua própria flauta e ensinando teoria musical.

Em pouco tempo, tudo o que era choro já saía daquele instrumento. Para comprar uma flauta de verdade, foi trabalhar com o tio em uma farmácia até juntar o dinheiro que precisava. De degrau em degrau, venceu o primeiro prêmio no programa de rádio Calouros em Desfile, de Ary Barroso, e começou a fazer seu nome. Forte nos improvisos, vigoroso no choro, começou a gravar com quem lhe batesse à porta. E eles foram muitos. Seu primeiro disco solo veio em 1949, chamado Flauteando na Chacrinha. Em 1951 substituiu Benedito Lacerda no conjunto regional de Garoto, da Rádio Mayrink Veiga. Francisco Alves, Orlando Silva e Vicente Celestino foram acompanhados por sua flauta. Na década de 1960, saiu para shows pela Europa, beneficiado por movimentos de redescoberta do choro. Ao longo da carreira, contabilizou mais de 100 discos gravados, cerca de 200 músicas compostas e o título de um dos maiores e mais talentosos embaixadores com o qual a música brasileira contou.