engler-sidnei ft1Engler vs. SídneiCapítulo II

A partir de 1990, enquanto a política local via a ascensão do Roberto Engler, o Sídnei Rocha, demitido da presidência da Vasp, conhecia o que é “inferno astral”. O seu desafeto foi eleito deputado estadual e ele teve de se enfurnar, pois a sua rejeição na cidade era muito grande. Conta-se, inclusive, que teria sido expulso de um conhecido restaurante central por ter se exaltado com críticas feitas por pessoas que estavam no local. Mas, financeiramente, não estava mal, não. Aliás, nos corredores da Assembleia Legislativa, falava-se abertamente que a sua demissão da Vasp devia-se a uma perfídia contra o governador. Na compra de dois Boeings para a frota, os 10% não teriam chegado às contas do Quércia. Esse boato jamais foi provado, mesmo porque nenhuma investigação foi aberta.

Voltando para Franca, ele logo tratou de reestruturar a sua atividade. Retomou seus comentários políticos na Rádio Hertz e começou a gerenciar a rede de franquias da Levi´s, então uma marca famosa de calças masculinas. Suas lojas estavam presentes em vários shoppings, entre os quais o de Franca, o de Ribeirão Preto e o de Uberaba. Politicamente, amoitou-se até 1992, quando o Roberto Engler anunciou, novamente, a candidatura a prefeito. Para confrontar o desafeto, filiou-se ao Partido Social Democrático (PSD), comandado no estado pelo Paulo Maluf, e anunciou também a candidatura. Os outros candidatos postos para o pleito eram o ex-vice do próprio Sídnei (1982), ainda nas hostes do PMDB, Ary Pedro Balieiro, e o professor Luiz Cruz de Oliveira, do PT.

A campanha foi acirrada. Tudo levara a crer que, desta vez, o Roberto Engler ia levar o caneco. Apoiado pelo jornal Comércio da Franca, se soltasse um “pum”, tinha manchetes garantidas. Naquela época, não havia controle sobre pesquisas. O fato é que o deputado estava na frente em todos os levantamentos. No PMDB, o Ary andava mal das pernas. Entrou, aí, o então deputado federal Airton Sandoval, que envidou esforços políticos e dinheiro para alavancar a candidatura do seu partido. Mas o que teria derrotado o Engler foi um boato distribuído na cidade, segundo o qual toda vez que voltava pra casa, após cumprimentar eleitores na periferia, ele se levava com álcool. Pelo lado político, enquanto o Engler desprezava o apoio dos senadores Mário Covas e Fernando Henrique, o Airton Sandoval arregimentava o governador Fleury Filho e o ex-governador Quércia para os lados do Ary.

Embora não tenha ganhado (por pouco) a eleição, o Roberto Engler teve a satisfação de fazer o Sídnei Rochacomer poeira”. O pleito foi vencido pelo Ary Balieiro, que, depois, “deu um tomé” no Airton Sandoval. Segundo versões, nem mesmo o dinheiro que o Airton teria emprestado para a campanha, decorrente da venda de um terreno no Distrito Industrial, lhe foi pago. Pior: um ano depois da eleição, o Ary abandonou o PMDB e foi para o PTB, abrindo, assim, em Franca, outra fissura política de grandes proporções. A eminência parda do Ary era o ex-bancário Sebastião Manoel Ananias. Da pendenga Egler vs. Sídnei, em 1992, sobrou para o ex-prefeito, radialista e ex-presidente da Vasp, um humilhante último lugar. Perdeu até para o PT. Veja, abaixo, o resultado da eleição.

Eleições de 1992Prefeito
01 — Ary Pedro Balieiro (PMDB): 34.709 votos (28,44%)
02 — Roberto Engler (PSDB): 32.589 votos (26,71%)
03 — Luiz Cruz de Oliveira (PT): 14.571 votos (18,02%)
04 — Sídnei Franco da Rocha (PSD): 9.947 votos (8,15%)

Eleições de 1992Vereadores
01 — Joaquim Pereira Ribeiro (PSDB): 3.413 votos
02 — José Carlos “Cacau” Pereira (PSC): 2.603 votos
03 — José Eurípedes “Jepy” Pereira (PSDB): 1.992 votos
04 — Vanderlei Martins “Tico” Tristão (PTB): 1.978 votos
05 — Antônio José “Pardal” Martins (PT): 1.758 votos
06 — José Mércuri (PMDB): 1.604 votos
07 — Gilmar Dominicci (PT): 1.531 votos
08 — Luiz Gonzaga José (PDT): 1.526 votos
09 — Evaldo Ismael de Oliveira (PMDB): 1.427 votos
10 — Luiz Carlos “Theo Maia” Cordeiro (PDT): 1.319 votos
11 — Luiz Carlos Fernandes (PDT): 1.224 votos
12 — Hélio Rodrigues Ribeiro (PSDB): 1.169 votos
13 — Adelmo Martins (PMDB): 1.136 votos
14 — Fábio Roberto Cruz (PSDB): 1.135 votos
15 — Gílson Pelizaro (PT): 1.132 votos
16 — Valter Gomes (PSDB): 1.116 votos
17 — Wilson Olien Sanches (PTB): 1.078 votos
18 — Marcos Antônio Faleiros (PMDB): 1.070 votos
19 — José Lancha Filho (PSD): 1.051 votos
20 — Ulisses Martins Minicucci (PL): 910 votos
21 — Everton Pires de Lima (PSDB): 810 votos

Continua...

 

 


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