pedofilo-atibaia1Pedófilo do “Boylovers

A edição 1.585 da revista VEJA, que chegou às bancas em 17 de fevereiro de 1999, denunciou aquele que viria a ser o maior escândalo de pedofilia da década. O biólogo Leonardo Chain, então com 27 anos, foi preso sob a acusação de atentado violento ao pudor contra crianças que frequentavam o Acampamento Atibaia, em São Paulo. No carro dele, um professor de educação física encontrou farto material pornográfico: dezenove fitas de vídeo, 143 fotografias, além de quarenta cuecas infantis. Os protagonistas eram sempre meninos com idade entre 10 e 15 anos. Num dos vídeos, o acusado aparece fazendo sexo oral num garoto de 12 anos.

A denúncia contra o biólogo foi feita pelo próprio dono da colônia de férias, que demonstrou o interesse em evitar o escândalo. Na sequência, o acusado confessou a autoria dos crimes e também legitimou o seu comportamento: “Na Grécia antiga, a pedofilia era comum. Platão nunca foi condenado pelo que eu fiz. O problema é que a sociedade não aceita o pedófilo”, disse no depoimento à polícia. “Pedófilo”, do grego “paidóphilos”, é aquele que gosta de crianças. O abuso sexual de meninos e meninas não é um fenômeno raro. Na época dos fatos, um relatório da Organização das Nações Unidas contou em quinhentos mil os envolvidos em pedofilia no mundo. No Brasil eram três mil os casos registrados.

No caso de Leonardo Chain, ele se disse integrante de um movimento então difundido na Inglaterra e na Alemanha, conhecido como “Boylovers”. Em português, “amantes de meninos”. Os participantes alegavam seguir regras de conduta bem rígidas. Afirmavam que não usavam violência e que não forçavam ninguém a nada. Em sua lógica absurda, defendiam que se devia primeiro conquistar a confiança das crianças e só dar vazão aos desejos com a permissão delas. No caso de Leonardo — chamado de “Tio Leo” pelas crianças —, ele era o monitor querido. Numa busca na internet não foi possível encontrar informações atualizadas sobre o que aconteceu com o processo do pedófilo do Acampamento Atibaia. Pela legislação atual a pedofilia está tipificada no artigo 217-A do Código Penal: “Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos: pena de reclusão de oito a 15 anos”.


 

 

 



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