abelha-jandaira1A Abelha Jandaíra

A ciência está a um passo de traçar o zoneamento genético das populações da abelha jandaíra, uma das mais importantes produtoras de mel e pólen e com uma ativa ação de polinizar as plantas no nordeste brasileiro. A Embrapa e a Universidade de Dalhousie, Canadá, realizaram o sequenciamento do genoma da espécie, gerando os primeiros marcadores moleculares para a abelha jandaíra. O estudo foi publicado pelo jornal científico Conservation Genetics Resources. Pioneiro em todo o mundo, o zoneamento vai permitir, com mais segurança, a construção de estratégias de gestão e manejo da espécie, buscando sua conservação e seu uso sustentável em toda a cadeia produtiva. Vítima da ação predatória do homem, a jandaíra é uma das espécies ameaçadas de extinção. O trabalho será concluído em 2016.

Abelhas sem ferrão, como a jandaíra, são responsáveis pela polinização de 30 a 60% das plantas da Caatinga, do Pantanal e de manchas da Mata Atlântica, importantes ecossistemas brasileiros. No entanto, segundo a pesquisadora Fábia Pereira, da Embrapa Meio-Norte, cerca de um terço das espécies dessas abelhas está em risco. O motivo é a degradação dos ecossistemas. O extrativismo predatório e o desmatamento sem controle têm levado à redução no número de colônias silvestres da espécie. Pequenas populações de abelhas sem ferrão, de acordo com a pesquisadora, “podem sofrer declínio gradual, resultando em sua extinção local”. A determinação da diversidade genética presente nas populações dessas abelhas é um pré-requisito para o estabelecimento de programas de manejo e conservação eficientes.

abelha-jandaira2As etapas do sequenciamento
O trabalho pioneiro de sequenciamento do genoma da abelha jandaíra, no laboratório de biotecnologia da Universidade de Dalhousie, levou sete meses. Na primeira fase, o DNA genômico total foi extraído a partir do tórax de cinco abelhas coletadas no nordeste brasileiro. As amostras foram então sujeitas a eletroforese, técnica de separação de moléculas em gel de agarose a 0,8%, para testar a quantidade e a qualidade do DNA. Nessa etapa, um único indivíduo com maior rendimento e qualidade de DNA foi selecionado para o sequenciamento.

abelha-jandaira3A partir daí foi criada uma biblioteca genômica, etapa mais complexa e que exigiu mais empenho. O passo seguinte foi o sequenciamento de DNA, realizado com um sequenciador de última geração, a tecnologia NGS - Next Generation Sequencing - MiSeq, da empresa norte-americana Illumina. Foram criados então 141.412 contigs, um conjunto de segmentos de DNA que, sobrepostos, representam uma região genômica de consenso a partir das 1.995.104 sequências curtas resultantes do sequenciamento. A partir desses dados, foram identificados 6.422 locos microssatélites, que são regiões de repetição nucleotídica em blocos. Inicialmente, 52 locos foram testados para validação como marcadores moleculares.



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