veja-20151223 petrolaoO Mensalão e o Petrolão

23/12/2015 — Embora a capa seja dedicada ao lançamento do filme “Star Wars: O Despertar da Força”, a principal matéria da Veja da semana está na página 60. Ela trata da origem da crise que tomou conta do Brasil nos últimos anos. Ministros do governo, ex-ministros, o presidente da Câmara dos Deputados e aliados do Palácio do Planalto têm suas casas e escritórios revistados pela Polícia Federal. O órgão vai fechando o cerco em torno dos criadores e dos beneficiários do maior escândalo de corrupção da história.

Com a posse do Lula da Silva na presidência da república, o PT arquitetou um plano audacioso para se perpetuar no poder. A ideia era usar a máquina federal, com seus cargos e orçamentos bilionários, para comprar o apoio de partidos, sem ceder um milímetro de terreno no avanço sobre as liberdades democráticas. Assim, desviaram recursos públicos e contrataram empréstimos fraudulentos para subornar parlamentares e fechar alianças no congresso. Quando o esquema foi descoberto, Lula viu o seu mandato ameaçado. Para afastar o risco de um processo de impeachment, convidou o bom e velho PMDB, o eterno fiador de qualquer presidente, para se tornar sócio do PT no governo. Foi o início do “petrolão”.

Desde a deflagração da Operação Lava-Jato, depoimentos e documentos indicam que o dinheiro desviado dos cofres da Petrobras financiou as campanhas do próprio Lula e da Dilma Roussef, além de enriquecer petistas como o José Dirceu e bancar a boa vida de políticos de diferentes partidos. Essa operação foi confirmada pelo pecuarista José Carlos Bumlai, testa de ferro e amigo do peito do Lula da Silva. Os petistas criaram o “mensalão” e o “petrolão”, mas os peemedebistas foram grandes beneficiários das falcatruas. A nova etapa da operação atingiu em cheio os mais importantes caciques do PMDB, que disputam entre si o controle partidário e as benesses do governo federal. O alvo principal dessa fase é o presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha.

Segundo a Veja, está claro que, apesar das tentativas de sabotagem, as investigações em curso não serão detidas por acordos de bastidores, conchavos entre poderosos e juízes ou artimanhas processuais que fomentaram a tradição brasileira da impunidade. A Operação Lava-Jato avança a passos largos no encalço de cabeças coroadas da república. A publicação lembra que no fim de julho, o Lula da Silva recebeu, para um café da manhã, os senadores Renan Calheiros, José Sarney e Delcídio do Amaral. O ex-presidente sugeriu aos convidados um pacto destinado a deter as investigações. A meta era a salvação geral e irrestrita. No fim de novembro, porém, Delcídio do Amaral foi preso justamente por sido flagrado na organização de um plano de fuga para um dos beneficiários de delação premiada.

  • Baseado no texto escrito pelo jornalista Daniel Pereira e na reportagem do Pieter Zalis.

 

 



© 2017 Tio Oda - Todos os direitos reservados