dvd ft1O Aparelho e o Disco DVD

22/01/1997 — Depois de um embate que consumiu quase cinco anos e que, até agosto de 1996, parecia não ter fim, chegou o disco de vídeo digital — o Digital Verstile Disc —, um novo formato para a distribuição de imagens, sons e programas de computador. Um consórcio que reuniu fabricantes de produtos eletrônicos, de informática, estúdios de cinema e de música anunciou que o disco chegaria ao mercado norte-americano em abril de 1997. Dali, se tudo desse certo, ele sairia para conquistar os consumidores do resto do mundo, seguindo um caminho semelhante ao “velhoCD. Este, num prazo de cinco anos, tornou-se a coqueluche das lojas de discos.

e-o-vento-levou3Do tamanho de um CD comum, o DVD é um disco ótico, com capacidade para guardar de sete a treze vezes mais informações que os CDs-ROM, que rodavam nos computadores. A tecnologia também prometia coisas impressionantes, entre as quais sons e imagens mais cristalinos e menos eletrodomésticos na sala. Isso porque um único aparelho faria todo o trabalho realizado então por um gravador com amplificador, um aparelho de vídeo e um CD, uma televisão e um computador: assistir a filmes, ouvir música ou rodar programas de informática. Em outras palavras, o DVD conseguiria realizar um dos principais sonhos da revolução digital: a convergência de todas as mídias.

Na época em que foi lançado, um aparelho de DVD saiu, em média, por novecentos dólares nos Estados Unidos. O seu sucesso dependeu — e muito — da velocidade com que os estúdios e os fabricantes de software lançaram títulos no novo formato. Em 1997, por exemplo, eram apenas cem filmes, a maioria feita de clássicos como “... E o Vento Levou” e “Casablanca”. Os fabricantes de computadores foram mais longe: até o final daquele ano migraram todos os seus programas e máquinas para o novo padrão. Para o consumidor, restava saber o que fazer com os aparelhos “ultrapassados”. Não precisou perder cabelos: o DVD rodava qualquer coisa que já estivesse em formato digital. No Brasil, o salto tecnológico foi mais lento e gradual. A principal razão foi a busca da qualidade técnica dos aparelhos e dos títulos lançados, em comparação com os Estados Unidos.

Texto extraído da matéria “A próxima Onda”, da jornalista Darlene Menconi, publicada na revista Veja, edição de 22/01/1997, página 55.


 

 



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