vinho-branco ft1Vinho Branco

Na Playboy de agosto de 1984, o especialista Danio Braga, fundador da Sociedade Brasileira de Sommeliers, escreveu um artigo , no qual explicou o porquê de o vinho branco ter conquistado o gosto do brasileiro. Segundo ele, ao contrário do vinho tinto, que exige uvas viníferas de qualidade, para um bom vinho branco é necessário acima de tudo sofisticação tecnológica. Além disso, o povo brasileiro é brincalhão. E o vinho branco pede momentos de alegria, enquanto o tinto sugere uma imagem de reunião de negócios.

Informal, sem deixar de ser sofisticado, o vinho branco pode ser tomado sem restrições em quase todas as ocasiões. Mas, para chegar ao sucesso, o vinho branco brasileiro teve de batalhar. A enologia do país ainda é jovem. Foram os imigrantes italianos, nos anos de 1870, que começaram um trabalho na região da cidade de Bento Gonçalves, que inclui Garibaldi, Caxias do Sul e Farroupilha, no Rio Grande do Sul. Muito antes, nos tempos do Brasil-Colônia, houve cultivo da uva na Bahia. Mas a procura do clima adequado fez com que as parreiras fossem descendo para encontrarem no sul o seu lugar. A dificuldade do cultivo de castas nobres trazidas da Europa e outros fatores fizeram com que durante várias décadas quase toda a produção viesse da uva híbrida Isabel, de origem norte-americana.

Depois, a partir da mudança dos hábitos de consumo, pesquisa de novos tipos de uva e investimentos maciços em tecnologia, a uva brasileira ainda encontrava problemas, como a falta de castas nobres. Em sua produção, o vinho branco pode ser obtido de uvas tintas, quando, logo após a prensagem, são retiradas do mosto das cascas que dariam a coloração do “tinto”. Ou pode ser feito de uvas brancas. Em 1984, a vinífera mais famosa no Brasil era a Riesling, de origem italiana. Como a variedade Trebiano — a mais cultivada, então —, é uma uva de maturação rápida, o que contorna um pouco o problema das chuvas. Havia ainda a Chenin Blanc, a Chardonnay e a Traminer.

* Extraído do artigo “A Sedução do Vinho Branco”, publicado na revista Playboy de agosto de 1984


 

 



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