versa in126 de abril de 2012
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Rodrigo Machado — Estadão

A partir da incorporação pela Renault, em 1999, a Nissan mudou a sua estratégia de fazer e vender carros. Antes, atuava como uma legítima marca japonesa, procurando fabricar produtos de alta confiabilidade e com foco na qualidade de produção. Nos últimos 13 anos, no entanto, a Nissan buscou escala de mercado. Gradativamente, trocou os modelos maiores e mais sofisticados por carros mais baratos e facilmente construídos, mas que conseguissem ter preço mais competitivo. Não é que a qualidade tenha sido esquecida — a marca ainda produz carros exclusivíssimos, como o esportivo GT-R, mas a Nissan agora atua no mesmo nível dos fabricantes automotivos generalistas em todo o mundo. E o Versa, sedã lançado no Brasil em outubro, representa bem esta nova era.

Tem visual moderno apesar da traseira pouco inspirada, aspecto de carro maior, mas traz conteúdo apenas necessário para brigar nos segmentos de compacto. Nas concessionárias, seu preço inicial, R$ 35.900, 00, normalmente aparece escrito no parabrisas. Quase sempre seguido das fatídicas palavras “a partir de”. Essa mudança de abordagem demorou um pouco a acontecer no Brasil. Apenas no ano passado, a Nissan ingressou nos segmentos de entrada do mercado nacional. Com o Versa, a briga é bem disputada, no miolo dos sedãs compactos. Os principais rivais são o Chevolet Cobalt e Fiat Grand Siena, três volumes que, assim como o Versa, oferecem bom espaço interno como principal argumento de vendas.

Em relação a eles, no entanto, o modelo mexicano de origem nipônica tem uma clássica vantagem mercadológica: o preço. Equipado com o máximo que pode ter, a versão “top” SL vai a R$ 44.640,00 cerca de R$ 2 mil a menos do que os rivais. Quando  comparação é com o Honda City, um sedã compacto claramente mais requintado, a discrepância é ainda maior. O modelo da marca compatriota chega a custar 60% a mais. E, como era óbvio esperar, oferecer menores preços e produtos mais acessíveis fez a participação da marca crescer como nunca por aqui. Em março, a Nissan atingiu 4% de market share no Brasil, seu recorde mensal, com mais de 11 mil emplacamentos. O Versa foi responsável por cerca de 20% das vendas no mês, com 2.095 carros. Desde o lançamento, a média dele por mês é ligeiramente menor, na casa das 1.600 unidades.

Em termos de produto, o grande diferencial do sedã da Nissan é o tamanho da cabine. A plataforma, uma variação daquela usada pelo March, permite uma distância entre eixos de 2,60 metros. O recém lançado Honda Civic, por exemplo, tem apenas 6,6 centímetros a mais no quesito. Em equipamentos, no entanto, o Versa não traz grandes novidades. Inclui airbag duplo e direção elétrica de série, mas nada que se destaque tanto. Na versão topo de linha, a testada SL, ainda recebe ABS, trio elétrico e rádio com entradas auxiliares.


 

 

 


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