kombi in1Kombi

21/08/2012 — Prestes a completar 55 anos, a Kombi luta para prorrogar seus dias na linha de montagem da Volkswagen no ABC Paulista, onde começou a ser fabricada em 2 de setembro de 1957. O veículo mais antigo em produção no mundo — e, ainda, o mais vendido em sua categoria no Brasil — deverá sair de cena até o fim do próximo ano. A partir de 2014, os veículos terão de ser produzidos com airbag e freios ABS. A antiga Kombi não tem estrutura para receber esses sistemas. Adaptá-la exigiria investimento elevado. As chances do modelo são praticamente nulas, mas a Volkswagen ainda não desistiu de buscar uma alternativa para seu produto mais carismático.

Ele foi o primeiro modelo da marca alemã a ser feito no Brasil. Até agora, foram 1,5 milhão de unidades, a maioria vendida no mercado interno para uso de trabalho. Neste ano, já foram vendidas 14,9 mil unidades, mais que o dobro do segundo colocado na categoria de furgões, o Fiat Ducato, com 5.965 unidades. Em 2011 inteiro, a Kombi vendeu 24,8 mil unidades e o Ducato, 13,4 mil. Embora ambos sejam classificados como furgões pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as especificações e a capacidade de carga são diferentes e os preços também. A Kombi tem preço a partir de R$ 43,8 mil e o Ducato a partir de R$ 76,3 mil, também sem os itens de segurança, que são opcionais e custam R$ 2,9 mil.

volkswagen-logo1A Volkswagen chegou a encomendar um sistema de airbag específico, mas a Kombi não passou no teste. Fontes do mercado afirmam que a montadora estuda pedir uma prorrogação do prazo para a obrigatoriedade do item, uma vez que o veículo não tem concorrentes diretos em preço e categoria de uso. Seu fim deixaria uma faixa do mercado sem opção de compra. O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) informa que não há impedimentos para que o prazo seja alterado, “mas não há nada que indique que isso poderá ser feito”. Outra tentativa seria mudar a classificação da Kombi para uma categoria isenta da obrigatoriedade do item de segurança. Isso também teria de ser aprovado pelo Denatran, o que parece improvável.

Há ainda quem aposte na produção do Bulli (desenvolvido na Alemanha), um moderno furgão cujo protótipo (na versão elétrica) foi mostrado na Rio+20 em junho. A expectativa é de que esse veículo poderia ser adaptado para produção em série. Nos bastidores, a Volks não nega que busca uma solução, mas, oficialmente, se limita a informar que o setor da Kombi opera em um turno na fábrica de São Bernardo do Campo com 630 empregados. Assim, como o próprio veículo, a linha de produção não teve mudanças significativas desde o início da produção. O jeito é esperar se haverá uma solução técnica para o problema, mas Kombi é, verdadeiramente, um veículo prá lá de prático.


 

 

 



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