renan-calheiros f2Renan “Love” Mônica

01/12/2016 — O Supremo Tribunal Federal decidiu colocar no banco dos réus o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL). Oito dos onze ministros da corte decidiram que o peemedebista deve ser julgado pelo crime de peculato, desvio de dinheiro público, por ter usado um lobista da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão a uma filha que teve fora do casamento.

Os ministros Edson Fachin, relator da matéria, Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki, Luiz Fux, Celso de Mello e a presidente Cármen Lúcia, aceitaram parcialmente denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República em 2013, apenas para o crime de peculato. ATUALIZAÇÃO: No dia 05/12/2016, o ministro Marco Aurélio de Mello, do STF, acolheu pedido liminar que pede o afastamento imediato do Calheiros da presidência do Senado Federal. No dia 07/12/2016, o plenário do tribunal cassou a liminar, mantendo o político alagoano cargo. Por seis votos a três, os ministros retiraram-no da linha de sucessão da presidência da república.

monica-veloso 20161205Os ministros Marco Aurélio Mello e Rosa Weber aceitaram integralmente a peça acusatória, que também atribui ao político os crimes de falsidade ideológica e uso de documento público falso. Os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski rejeitaram integralmente a acusação. Em junho de 2007, a jornalista Mônica Veloso, com quem o alagoano teve uma filha fora do casamento, revelou com exclusividade à revista VEJA que teve despesas pessoais pagas por Cláudio Gontijo, lobista da construtora Mendes Júnior. Segundo ela, os pagamentos eram realizados em dinheiro vivo e quase sempre feitos no escritório da empreiteira em Brasília.

Mônica contou que recebeu os valores de março de 2004 a novembro de 2005. Começou com R$ 40 mil para pagar um ano de aluguel antecipadamente. Na verdade, foram R$ 43,2 mil, pagos em 15 de março de 2004, conforme recibo da imobiliária obtido pela revista. Além disso, ela recebeu pensão mensal de R$ 8 mil e, de agosto de 2004 a março de 2005, mais R$ 2,8 mil para pagar uma empresa de segurança devido a ameaças de morte anônimas que teria recebido. De março de 2005 em diante, quando trocou a casa por outro apartamento, além da pensão, foram incorporados mais R$ 4 mil para o aluguel, num total de R$ 12 mil mensais. Pelo menos por enquanto, a situação jurídica do Renan Calheiros não vai prejudicá-lo politicamente. Ele continuará na presidência do senado, o segundo na linha sucessória do presidente da república.

renan-calheiros veja-20161005Envolvimento Na Lava-Jato
02/10/2016 — O destaque da capa da revista Veja que chegou às bancas é o senador Renan Calheiros, presidente do Senado Federal. Na chamada, a publicação afirma: “Caiu a presidente da república. Caiu o presidente da Câmara. Com a delação do pagador de propinas do PMDB, a Lava-Jato, agora, chega ao presidente do Senado”. Em quatro páginas internas, a reportagem revela que teve acesso a um despacho sigiloso do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, sob o qual correm as ações com foro privilegiado. Ele aceitou o acordo de delação premiada do advogado Felipe Rocha Parente, nas quais o delator relata que entre os beneficiários da propina da Transpetro — subsidiária da Petrobras — está o senador alagoano. Renan teria embolsado R$ 32 milhões.

renan-calheiros f3JOSÉ RENAN VASCONCELOS CALHEIROS nasceu no dia 16 de setembro de 1955, na cidade de Murici, Alagoas. Pertence a uma família de políticos do seu estado. Filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro no início da década de 1970. Em 1978, candidatou-se e foi eleito deputado estadual pela legenda. Em 1982, graduou-se em direito e foi eleito deputado federal. Foi reeleito em 1986 com a segunda maior votação do estado: 54,9 mil votos.

No ano seguinte, licenciou-se do cargo para assumir a Secretaria da Educação do Alagoas, mas voltou em 1988, por causa da Assembleia Nacional Constituinte. Em 1989, mesmo tendo sido um inimigo histórico, foi o coordenador da campanha presidencial do Collor de Mello. Em 1995, foi eleito senador pela primeira vez, reelegendo-se em 2002 e em 2010. Em 2013, mesmo sob fortes denúncias de corrupção, foi eleito presidente do Senado Federal. Em julho de 2015, a justiça federal de Brasília abriu uma ação civil contra ele por improbidade administrativa por causa de vantagens indevidamente recebidas no seu primeiro mandato como presidente. No mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal autorizou a quebra dos eu sigilo bancário para apurar se ele recebeu ou não propinas da Transpetro, uma empresa da Petrobras. Em 2018, renovou, mais uma vez, o mandato de senador.


 

 



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