gilberto-amado in1Gilberto Amado

GILBERTO DE LIMA AZEVEDO SOUZA FERREIRA AMADO DE FARIA nasceu no dia 7 de maio de 1887, na localidade de Estância, Sergipe. Morreu no dia 29 de agosto de 1969, na cidade do Rio de Janeiro.

Era o primeiro dos catorze filhos do casal Melchisedech Amado e Ana Amado. Fez os estudos primários em Itaporanga, também no interior do Sergipe. Depois estudou Farmácia na Bahia e diplomou-se pela Faculdade de Direito de Recife, da qual se tornou, ainda muito moço, catedrático de Direito Penal. Em 1910, transferiu-se para o Rio de Janeiro, iniciando a sua colaboração no Jornal do Commercio com um estudo sobre Luís Delfino. Passou depois a ocupar uma coluna semanal em O País.

Em 1912, realizou sua primeira viagem à Europa, assunto de um de seus livros de memórias. Em 1913, pronunciou, no salão nobre do Jornal do Commercio, a convite da Sociedade dos Homens de Letras, uma conferência em que fez o elogio do espírito contemplativo A Chave de Salomão, que, no ano seguinte, juntamente com outros escritos, seria publicada em livro. Em 1915, foi eleito deputado federal por Sergipe e, em 1926, eleito senador pelo mesmo estado. Sua atuação na Câmara dos Deputados se fez sentir, sobretudo, através de discursos que se tornaram famosos, como o que pronunciou na sessão de 11 de dezembro de 1916 sobre As Instituições Políticas e o Meio Social no Brasil.

Nos últimos anos da República Velha, exerceu mandato no Senado Federal até encerrar a carreira política com a Revolução de 1930. Em 1931, realizou uma série de conferências sobre o regime eleitoral, publicada no livro Eleição e Representação (1932). Por essa época, voltou ao magistério superior na Faculdade Nacional de Direito do Distrito Federal, iniciando um novo e fecundo período em sua vida, de estudos e trabalhos. Em 1934, foi nomeado consultor jurídico do Ministério das Relações Exteriores, sucedendo a Clóvis Beviláqua. Desse posto passou ao de embaixador, sendo a sua primeira missão junto ao governo do Chile (1936). De 1939 a 1947, foi ministro na Finlândia.

A partir de 1948, tornou-se membro da Comissão de Direito Internacional da ONU, sediada em Genebra. Os arquivos do Itamarati guardam os numerosos relatórios, pareceres e teses de sua lavra, documentos da sua contribuição ao estudo do Direito Internacional durante o período de 28 anos em que integrou essa Comissão. Foi também delegado do Brasil em todas as sessões ordinárias da Assembléia Geral da ONU, desde as primeiras, realizadas ainda em Lake Success, logo depois da assinatura da Carta de São Francisco, até à última a que pôde comparecer, reunida em Nova York em 1968. São de sua autoria publicações que se encontram no Anuário das Nações Unidas, tais como: Direitos e Deveres dos Estados, Definição da Agressão, Processo Arbitral, Reservas às Convenções Multilaterais e outras.

gilberto-amado in2Afastado do Brasil em missões oficiais no exterior, aos poucos foi se tornando figura mítica. Periodicamente vinha ao país, tornando-se conhecido, sobretudo, pelas lendas e anedotas que circulavam a seu respeito, reproduzindo ditos espirituosos e atitudes inusitadas. A carreira de escritor seguiu sempre paralela à do político e do diplomata. Em 1917, publicou, os versos de Suave Ascensão. Depois de História de Minha Infância, Minha Formação no Recife, Mocidade no Rio e Primeira Viagem à Europa, Presença na Política e Depois da Política foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1963. Uma de suas histórias mais fantásticas foi o desentendimento que teve com o poeta Aníbal Teófilo em 1915. Afrontado, sacou o revólver e matou oponente no salão nobre do Jornal do Commércio. Processado, foi absolvido pelo Tribunal do Júri.


 

 

 



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