Dárcy Condenada

07/09/2018 — A ex-prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera, foi condenada em primeira instância a dezoito anos e nove meses de prisão, em decorrência do esquema que desviou R$ 45 milhões dos cofres públicos. O Ministério Público acusou a política de fazer pagamento indevido de honorários advocatícios à uma ex-advogada do Sindicato dos Servidores Municipais. Na sentença o juiz da causa determinou que a ex-prefeita fique presa até julgamento em segunda instância. Imóveis pertencentes a ela também seguem bloqueados para eventual ressarcimento do dano apurado. Dárcy Vera está presa na Penitenciária do Tremembé, em São Paulo, desde maio do ano passado. Além da pena privativa de liberdade, a política perdeu os direitos políticos pelo prazo de cinco anos. Essa é a segunda condenação da política por improbidade administrativa.

20160903Dárcy Vs. STJ
01/08/2018 — A presidência do Superior Tribunal de Justiça indeferiu liminarmente o pedido recursal da defesa da ex-prefeita de Ribeirão Preto, Darcy Vera. Ela está presa preventivamente, desde dezembro de 2016, pela prática de 43 crimes de corrupção passiva, em associação criminosa, e apropriação indébita de aproximadamente R$ 45 milhões, desviados dos cofres do município. A defesa alegou que a prisão da ex-prefeita teria sido ecretada com base apenas na gravidade abstrata do delito, sem que fossem apontados elementos idôneos para o preenchimento dos requisitos do artigo 312 do Código de Processo Penal. A ministra Laurita Vaz, presidente do STJ, ao negar o recurso, afirmou que a impetração é mera reiteração de pedidos semelhantes anteriormente já decididos pela corte. A Dárcy Vera continuará presa.

Darcy & Stock Car
25/04/2018 — A Justiça Federal condenou a ex-prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera, a cinco anos de prisão em regime semiaberto pelo desvio de R$ 2,2 milhões. Esse dinheiro foi destinado pelo Ministério do Turismo para a realização de anúncios publicitários durante uma etapa da Stock Car na cidade em 2010. O caso passou a ser investigado pelo Ministério Público Federal depois que a União reprovou por duas vezes a prestação de contas do convênio e notificou a administração a devolver os recursos. Segundo o governo federal, a prefeita não comprovou a aplicação do valor. Esse processo não tem relação com o caso de corrupção da Operação Sevandija, em julgamento na 4.ª Vara Cível de Ribeirão Preto. Neste, a Dárcy Vera é acusada de receber R$ 7 milhões em propinas.

darcy-vera ch1DÁRCY DA SILVA VERA nasceu no dia 10 de abril de 1967, na cidade de Indiaporã, São Paulo. Filha de um casal de bóias-frias, aos seis anos começou a trabalhar na difícil colheita do algodão. Depois, foi faxineira, babá, vendedora de panelas de porta em porta e animadora de circo. Aos 22 anos, conseguiu um emprego de radialista. O dono da rádio lhe ordenou que não abrisse a boca enquanto trabalhava. Deveria apenas colocar as músicas para tocar. Como o programa era de madrugada, com o patrão dormindo, ela desobedecia a ordem, mandava beijos a quem pedia música e, em retribuição, essas pessoas lhe levavam coisas de comer.

Meses depois, virou locutora oficial da manhã. Sua especialidade era imitar cantoras de música brega com o vozeirão que tem. Vozeirão que lhe rendeu um convite para integrar a dupla sertaneja As Marcianas. O dono da rádio, então candidato a prefeito, percebeu sua popularidade e a lançou candidata a vereadora. Deu certo. Elegeu-se e se reelegeu mais três outras vezes. Depois, elegeu-se deputada estadual. Uma vez no universo da política, fez seguidas melhorias em sua administração privada. Colocou 220 mililitros de silicone nos seios, afinou e empinou o nariz e aplicou botox em vários pontos. Politicamente, foi filiada ao Partido Democrático Social (PSD) e bebeu na fonte inesgotável do populismo.

Distribuiu dentaduras, tomou muita água em lata de extrato de tomate em tempos de campanha e sentou-se no chão para debater com militantes do MST. Elegeu-se prefeita de Ribeirão Preto em 2008 para o mandato de 2009 a 2012, no primeiro turno, com 154,8 mil votos (52% do eleitorado). Sua administração foi bastante criticada. Só em 2011 foram registrados trinta mil novos casos de dengue, 20 vezes mais do que em 2009. As finanças também capengaram, com um resultado negativo de R$ 58 milhões em 2010. Em 2012 e 2013 passou a responder a vários processos na Justiça Eleitoral e na Justiça Comum. Em 2015, inaugurou uma das maiores obras do seu mandato: um terminal de ônibus orçado em R$ 8 milhões. Em 2016, depois da descoberta de escândalos na sua administração, foi presa pela Polícia Estadual. Em abril de 2018, a primeira instância da Justiça Federal de Ribeirão Preto a condenou a cinco anos de prisão por improbidade administrativa.


 

 



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