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02/04/2020 — A Justiça aceitou nova denúncia do Ministério Público contra a ex-prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera. Ela está sendo acusada de chefiar um esquema de fraudes entre a Companhia de Desenvolvimento Econômico e a empresa Atmosphera. Com a decisão, a política vira ré pela terceira vez no âmbito da Operação Sevandija. Nos autos, a defesa alega que a Dárcy foi investigada por autoridades incompetentes, devendo ser decretada a nulidade das provas. Alegou também ausência de fundamentação das decisões que determinaram as quebras de sigilos telefônicos.

Os advogados também pediram a suspensão do andamento da ação até que o Supremo Tribunal Federal decida, em caráter definitivo, a respeito do juiz das garantias. Ao analisar as argumentações da defesa, o juiz Lúcio Alberto Eneas da Silva Ferreira, da 4.ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, afirmou que a legitimidade do processo já foi validada por outros tribunais. Também ressalvou que o ministro do STF, Luiz Fux, suspendeu por tempo indeterminado a implementação do chamado juiz de garantias. A ex-prefeita está em liberdade desde dezembro de 2019, quando obteve um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça.

darcy-vera ch1DÁRCY DA SILVA VERA nasceu no dia 10 de abril de 1967, na cidade de Indiaporã, São Paulo. Filha de um casal de bóias-frias, aos seis anos começou a trabalhar na difícil colheita do algodão. Depois, foi faxineira, babá, vendedora de panelas de porta em porta e animadora de circo. Aos 22 anos, conseguiu um emprego de radialista. O dono da rádio lhe ordenou que não abrisse a boca enquanto trabalhava. Deveria apenas colocar as músicas para tocar. Como o programa era de madrugada, com o patrão dormindo, ela desobedecia a ordem, mandava beijos a quem pedia música e, em retribuição, essas pessoas lhe levavam coisas de comer.

Meses depois, virou locutora oficial da manhã. Sua especialidade era imitar cantoras de música brega com o vozeirão que tem. Vozeirão que lhe rendeu um convite para integrar a dupla sertaneja As Marcianas. O dono da rádio, então candidato a prefeito, percebeu sua popularidade e a lançou candidata a vereadora. Deu certo. Elegeu-se e se reelegeu mais três outras vezes. Depois, elegeu-se deputada estadual. Uma vez no universo da política, fez seguidas melhorias em sua administração privada. Colocou 220 mililitros de silicone nos seios, afinou e empinou o nariz e aplicou botox em vários pontos. Politicamente, foi filiada ao Partido Democrático Social (PSD) e bebeu na fonte inesgotável do populismo.

Distribuiu dentaduras, tomou muita água em lata de extrato de tomate em tempos de campanha e sentou-se no chão para debater com militantes do MST. Elegeu-se prefeita de Ribeirão Preto em 2008 para o mandato de 2009 a 2012, no primeiro turno, com 154,8 mil votos (52% do eleitorado). Sua administração foi bastante criticada. Só em 2011 foram registrados trinta mil novos casos de dengue, 20 vezes mais do que em 2009. As finanças também capengaram, com um resultado negativo de R$ 58 milhões em 2010. Em 2012 e 2013 passou a responder a vários processos na Justiça Eleitoral e na Justiça Comum. Em 2015, inaugurou uma das maiores obras do seu mandato: um terminal de ônibus orçado em R$ 8 milhões. Em 2016, depois da descoberta de escândalos na sua administração, foi presa pela Polícia Estadual. Em abril de 2018, a primeira instância da Justiça Federal de Ribeirão Preto a condenou a cinco anos de prisão por improbidade administrativa.

20160903Darcy & Stock Car
25/04/2018 — A Justiça Federal condenou a ex-prefeita de Ribeirão PretoDárcy Vera, a cinco anos de prisão em regime semiaberto pelo desvio de R$ 2,2 milhões. Esse dinheiro foi destinado pelo Ministério do Turismo para a realização de anúncios publicitários durante uma etapa da Stock Car na cidade em 2010. O caso passou a ser investigado pelo Ministério Público Federal depois que a União reprovou por duas vezes a prestação de contas do convênio e notificou a administração a devolver os recursos. Segundo o governo federal, a prefeita não comprovou a aplicação do valor. Esse processo não tem relação com o caso de corrupção da Operação Sevandija, em julgamento na 4.ª Vara Cível de Ribeirão Preto. Neste, a Dárcy Vera é acusada de receber R$ 7 milhões em propinas.

Condenação
07/09/2018 — A ex-prefeita de Ribeirão PretoDárcy Vera, foi condenada em primeira instância a dezoito anos e nove meses de prisão, em decorrência do esquema que desviou R$ 45 milhões dos cofres públicos. O Ministério Público acusou a política de fazer pagamento indevido de honorários advocatícios à uma ex-advogada do Sindicato dos Servidores Municipais. Na sentença o juiz da causa determinou que a ex-prefeita fique presa até julgamento em segunda instância. Imóveis pertencentes a ela também seguem bloqueados para eventual ressarcimento do dano apurado. Dárcy Vera está presa na Penitenciária do Tremembé, em São Paulo, desde maio do ano passado. Além da pena privativa de liberdade, a política perdeu os direitos políticos pelo prazo de cinco anos. Essa é a segunda condenação da política por improbidade administrativa.


 

 



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