disraeli in1Disraeli

BENJAMIN DISRAELI nasceu no dia 21 de dezembro de 1804 e morreu no dia 19 de abril e 1881, na cidade de Londres, Inglaterra. Enquanto tentava se introduzir na agitada política inglesa, colocava de forma literária suas ideias, publicando, em 1836, as sátiras Ixion No Céu e Casamento Infernal, bem como a novela amorosa Henrieta Temple. No ano seguinte, publicou Venetia, na qual apresenta os princípios episódicos da vida de Lorde Byron e Percy Shelley de forma romanceada. Em 1832, havia procurado por duas vezes se eleger para o parlamento, mas não obtivera sucesso.

Por essa época, a política inglesa estava em grande efervescência. O povo começava a se rebelar contra as leis que estendiam apenas à burguesia o direito de voto. Surgia o movimento “cartista” reunindo as camadas populares em torno de um programa (a Carta do Povo), que reivindicava, entre outras coisas, o sufrágio universal e eleições anuais para a renovação do parlamento. Ele se apresentava como radical, mas se associou à publicação de um manifesto antiliberal. Apesar das suas manobras, só conseguiu ser eleito em 1837, quando a rainha Vitória subiu ao trono e o parlamento foi renovado. Seu primeiro discurso foi um fracasso.

Mas quando, em março, pronunciou outro, em que defendia a Lei dos Cereais, sua reputação começou a crescer. Na defesa dessa lei (que impedia a importação de cereais), colocou-se ao lado dos interesses dos produtores rurais. Em 1841, após solicitar, sem êxito, um cargo junto ao gabinete conservador de Robert Peel (1788-1850), dedicou-se a defender a causa de cunho eminentemente feudal, que se tornou conhecida como “Jovem Inglaterra”. Juntamente com seus companheiros conservadores, aspirava a uma aliança da aristocracia com o povo, contra os liberais e a burguesia industrial. Em 1844, publicou Coningsby ou a Jovem Geração, a primeira de uma série de três novelas políticas. No ano seguinte, apareceu Sybill ou as Duas Nações. Com Tancredo ou a Nova Cruzada, de 1847, encerrou-se a trilogia, que marca o surgimento do romance político na literatura ocidental. Em 1846, foi revogada a lei dos cereais. Originou-se daí uma crise, que acarretaria muitos anos de lutas internas nos partidos políticos.

Durante o período 1846-1860, ele liderou a facção conservadora denominada “tory”. Na década de 1860, surgiram dois novos partidos: o Liberal, que reunia liberais denominados “wighs” e radicais, sob a liderança de William Gladstone, e o Conservador, constituído por “tories” e também por “whigs” dissidentes, chefiado por ele. Ambos apresentavam programas bastante vagos. Em linhas gerais, os conservadores, embora comprometidos com as instituições vigentes, propunham algumas reformas. Os liberais apresentavam como programa a extinção da escravidão, a liberdade religiosa e reformas políticas. Em 1867, ele apresentou e fez ser aprovado um projeto de reforma eleitoral, esperando obter, em troca, os votos da população urbana, na primeira eleição sob a nova lei. No entanto, foi o adversário Gladstone quem obteve a maioria dos votos. Em 1868, ele perdeu o cargo de primeiro-ministro, que ocupava desde o ano anterior.

A reforma de 1867 transformou radicalmente a organização partidária e o sistema eleitoral: os membros dos partidos não podiam mudar de grupo, a não ser que se demitissem da Casa dos Comuns. Assim, quem vencesse as eleições teria garantida a maioria no parlamento. O líder do partido vencedor era automaticamente indicado para primeiro-ministro pela rainha. Cinquenta e oito cadeiras do parlamento foram transferidas para as cidades industriais, ampliando, enormemente, o número de eleitores, que passou de 1,3 milhão para 2,5 milhões, dos quais 800 mil eram artesãos e operários qualificados. No período que vai de 1867 a 1885, o cargo de primeiro-ministro foi ocupado alternadamente por ele e por Willian Gladstone. Foi na política externa que residiu a principal diferença entre os dois. Enquanto o adversário se preocupou, sobretudo, em manter o equilíbrio entre as grandes potências, ele se dedicou a expandir o Império Britânico, através de uma política agressiva. O seu segundo ministério marca o apogeu da política imperialista inglesa no século XIX.

Anexou as Ilhas Fidji (1874), comprou a maioria das ações do Canal de Suez (1875), controlando o acesso ao Oriente. Lutou contra os bôeres (holandeses) na África do Sul, com o objetivo de conquistar seus territórios, ricos em diamantes. Para impedir que a Rússia conseguisse uma passagem para o Mar Mediterrâneo, pressionou para a assinatura do Tratado de Berlim (1878), através do qual os russos devolveram à Turquia os territórios conquistados na guerra de 1877-1878. A sua atitude agressiva, justamente no envolvimento na guerra russo-turca, acabou provocando a derrota do seu partido nas eleições de 1880. Mas mesmo fora do governo, continuou a dirigir o partido dos conservadores (“tories”). Encontrou tempo também para escrever mais um romance: Endimião. Morreu em 1881 ostentando o título de Conde de Beaconsfield. Recebeu essa honraria da rainha Vitória em 1876, um ano antes de ter feito dela a “imperatriz das Índias”, como símbolo do poderio colonial da Inglaterra. É considerado pelos historiadores “um dos grandes” da política internacional em todos os tempos.


 

 

 



© 2017 Tio Oda - Todos os direitos reservados