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A história do pontificado do Papa João Paulo II. Uma história de 1979 a 2005

joao-paulo-2aCronologia Do João Paulo II

1979 — Em sua primeira viagem fora da Itália, para o México, criticou pela primeira vez a Teologia da Libertação. Disse que a igreja não precisava recorrer a sistemas e ideologias para amar, defender e colaborar na libertação do homem. Em junho foi à Polônia, numa iniciativa que os historiadores consideram decisiva para a criação do Sindicato Solidariedade e a derrocada do regime comunista. No meio da Guerra Fria pregou a “unidade da Europa cristã”.

1980 — Veio pela primeira vez ao Brasil. Visitou detentos em Brasília, operários em São Paulo e hansenianos em Belém do Pará. No mesmo ano foi à África, também pela primeira vez.

1981 — Foi atingido por três tiros, disparados pelo turco Mehmet Ali Agca, enquanto abençoava peregrinos na Praça São Pedro. As balas atingiram uma das suas mãos e o abdômen, o que o obrigou a se submeter a duas cirurgias.

1982 — Um ano depois do atentado, foi ao Santuário de Fátima, em Portugal. Ele foi ferido no dia da Nossa Senhora de Fátima. Por isso, creditou à santa o fato de ter escapado com vida. Escolheu como dístico do seu pontificado a expressão Totus Tuus (“todo teu”, em latim) para mostrar a sua devoção à virgem. Não foi um acaso que o marianismo — o culto à Maria — tenha crescido tanto depois disso. Em junho encontrou-se com o presidente norte-americano Ronald Reagan. Nesse mesmo ano recebeu o líder palestino Yasser Ararafat.

1983 — Na época do Natal encontrou-se com Ali Agca — o turco do qual fora vítima — na prisão, em Roma, e o absolveu do crime. No mesmo mês visitou uma igreja luterana, iniciativa inédita na história do papado.

1984 — Viajou à Ásia e à Oceania. Nas comemorações do bicentenário da evangelização da Coreia do Sul, foi ao país e canonizou mais de 100 mártires coreanos.

1985 — Participou de uma assembleia islâmica na cidade de Casablanca, no Marrocos. Puniu com o silêncio penitencial o então frade franciscano Leonardo Boff, um dos expoentes da Teologia da Libertação. Pediu perdão aos africanos e índios pela tolerância com que a Igreja Católica assistiu à escravização dos antepassados deles.

1986 — Em abril, visitou uma sinagoga em Roma. Em outubro, presidiu o primeiro encontro mundial inter-religioso na Itália. O evento reuniu líderes de diversas igrejas e tradições religiosas. Em seu discurso, disse que “a paz é portadora do nome do Jesus Cristo”. Entretanto, ressaltou que os católicos nem sempre foram fiéis a essa afirmação da fé. “Não temos sido sempre construtores da paz”, finalizou.

1987 — Visitou a Alemanha Ocidental e defendeu a reunificação com a Alemanha Oriental. Inaugurou as férias papais, esquiando nos Alpes. Manteve esse hábito até 1994.

1988 — Depois de um longo processo, excomungou o bispo francês Macel Lefèbvre. O religioso havia desafiado o Vaticano com sua posições ultra-tradicionalistas.

1989 — Pela primeira vez na história, um pontífice recebeu um secretário-geral do Partido Comunista Soviético. O encontro com o Mikhail Gorbachev restabeleceu as relações diplomáticas do Vaticano com a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).

1991 — Publicou a encíclica “Centesimus Annus”, na qual critica o modelo comunista. Disse que a negação do direito à iniciativa econômica ou sua limitação, em nome de uma pretensa igualdade de todos na sociedade, reduz ou destrói o espírito de iniciativa e a personalidade criativa do cidadão. Segundo ele, essa negação ou limitação fazem prevalecer a passividade, a dependência e a submissão. Nesse mesmo ano, veio ao Brasil pela segunda vez.

1992 — Foi submetido a uma cirurgia para retirar um tumor intestinal.

1993 — Publicou a encíclica “Veritatis Splendor”, na qual aborda o que seria a crise moral do Ocidente. O documento condena a homossexualidade, o aborto e o sexo fora do casamento.

1994 — Criticou veementemente o texto da ONU que apoiava o aborto e defendia o uso de métodos artificiais de contracepção. Da sua janela, sobre a Praça da Sé, bradou: “Nós protestamos!” O assunto tornou-se o principal tema do seu encontro com o presidente norte-americano Bill Clinton. Em abril, foi operado para a colocação de uma prótese no fêmur, por causa de uma queda no banheiro. Surgiram especulações de que estaria sofrendo de osteoporose, Mal de Parkinson ou ósseo. Recebeu o título de “o homem do ano”, conferido pela revista norte-americana Time.

1995 — Publicou a encíclica “Evangelium Vitae”, no qual condena o aborto, a eutanásia e o uso de métodos contraceptivos.

1996 — A possibilidade renúncia foi formalizada através da publicação da constituição apostólica “Universi Dominici Gregis”. Lançou o livro autobiográfico “Dom e Mistério”, no qual fala da sua paixão pelo teatro. Também relembra episódios como o dia da sua ordenação como padre, quando apenas uma tia assistiu à cerimônia, já que todo o resto da família havia morrido. Em novembro, depois de seis anos de negociações entre emissários eclesiásticos e o governo de Cuba, recebeu o Fidel Castro no Vaticano.

1997 — Fez a sua terceira visita ao Brasil.

1998 — Pediu perdão aos judeus pelo comportamento da igreja no evento do Holocausto. Afirmou que faltou aos cristãos “resistência espiritual” para fazer frente ao massacre nazista. Publicou a encíclica “Fides et Ratio”, na qual procura conciliar a fé e a razão. Visitou Cuba. Pediu ao país que se abrisse para o mundo. Ao mesmo tempo, criticou o embargo norte-americano e defendeu a libertação dos “prisioneiros de consciência”.

2000 — No Ano Santo do Jubileu, celebração dos dois mil anos do nascimento do Jesus Cristo, pediu, novamente, perdão pelos erros cometidos pela Igreja Católica. Citou, nominalmente, as Cruzadas e a Inquisição. Viajou a Israel. Essa visita, considerada “histórica”, incluiu o Museu do Holocausto e o Muro das Lamentações.

2001 — Em maio, visitou a mesquita de Damasco, na Síria. Em obediência à tradição muçulmana, retirou antes os sapatos. Foi o primeiro líder católico a entrar num templo islâmico. Em novembro, usou a internet para enviar um pedido de desculpas à Oceania pelas injustiças e abusos cometidos pela Igreja Católica naquele continente.

2002 — Em agosto, fez a sua última viagem à Polônia. Em missa para 2,7 milhões de fiéis, realizada num parque na cidade de Cracóvia, despediu-se: “Gostaria de vê-los novamente. Mas isso, agora, está nas mãos de Deus”.

2003 — Em março, lançou o livro “Tríptico Romano — Meditações”, no qual reúniu poesias e reflexões. em setembro, foi à Eslováquia, na 102.ª viagem do seu pontificado. Enfraquecido, pediu a um assistente que terminasse a leitura do seu discurso. Retomou a fala no final para abençoar o país. Pouco antes, em maio, o Vaticano havia reconhecido oficialmente o que todo mundo sabia: ele sofria do Mal de Parkinson.

2004 — Em janeiro, assinou decreto de aposentadoria do Dom Pedro Casaldáliga, então bispo da cidade brasileira de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso. O bispo era um dos representantes mais radicais da ala progressista da igreja. Em 18 de maio, quando completou 84 anos, lançou outra autobiografia. Nela, reuniu relatos colhidos desde 1958, quando foi nomeado bispo da cidade de Cracóvia, na Polônia. “Levantai-vos! Vamos!” tem também poemas e conselhos religiosos. Logo depois, fez duas últimas viagens apostólicas. Foi à cidade de Berna, na Suíça, e à cidade de Lourdes, na França.

2005 — Em sua última carta apostólica, a 45 do seu papado, intitulada “O Rápido Desenvolvimento”, pediu aos meios de comunicação que promovessem a justiça e a solidariedade. No documento, a televisão é citada como um instrumento para agressões pessoais, um lugar para denegrir os outros e fórum para conflitos vulgares e de mau gosto. Em fevereiro, laçou o livro “Memória e Identidade”, no qual fala sobre sua experiência com o totalitarismo nazista e comunista, relativiza a democracia e ataca mais uma vez a legislação do aborto e o reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo.



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