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Regina Meneghel, a cunhada da Xuxa na capada Playboy de maio de 1989

 regina-meneghel cPlayboy — Maio de 1989 

Quem pensou que, depois da Xuxa, a beleza ia bater em outra porta, decididamente não conhecia a casa dos Meneghel. Regina, então casada com Blad, o irmão da rainha dos baixinhos, estava lá para provar que um raio — de beleza! — podia cair duas vezes no mesmo lugar. Nesse caso, foi um raio de vinte anos, 1,75 metro e 56 quilos, olhos castanhos e, claro, cabelos louros. Esse foi o texto de introdução do ensaio sensual da modelo Regina Meneghel, publicado na Playboy de maio de 1989, com fotos assinadas por Paulo Wainer. Foram oito páginas internas e a capa. A modelo, segundo a revista, tinha uma amizade muito forte com Xuxa: “Era fácil flagrar as duas, nuas, tomando banho de cachoeira no sítio da apresentadora na cidade de Rio Bonito, a 74 km do Rio de Janeiro”.

fabio-feldmannNa tradicional entrevista, a Playboy de maio de 1989 trouxe o então deputado federal Fábio Feldman (PSDB), o mais famoso ativista ambiental daqueles tempos. Disse a revista: “Amigos do deputado, oficialmente solteiro e um notório namorador, questionam seu estado civil. Segundo eles, esse paulistano de 34 anos está casado há uma década com uma das jovens mais fascinantes, badaladas, polêmicas, atacadas e incompreendidas do mundo contemporâneo: a ecologia”. Um ano antes (1988), o parlamentar, eleito com mais de 46 mil votos, havia participado da Assembleia Nacional Constituinte. Com um grupo de deputados, conseguiu emplacar o texto relativo ao meio ambiente na Constituição Federal (Capítulo VI, artigo 225 seguintes).

ingra-liberatoNa secção Panteras, Gatas & Coelhinhas, a revista apresentou a jogadora de vôlei Rosana Rodrigues (gaúcha), então com 18 anos, defensora da seleção brasileira juvenil. Também apareceu a iniciante Ingra Liberato, que, depois, viria a ser uma cotada atriz. Naquela oportunidade, aos 22 anos, ela era formada em dança e trabalhava como bailarina no programa Os Trapalhões. As novidades da secção foram as modelos Patrícia de Paula e Tilara Serpa (cariocas). Esta última, então com 16 anos, havia se classificado em segundo lugar no concurso Miss Grand Prix 89. Na edição também tem uma reportagem de Dalila Magarian sobre “a nova explosão do prazer”. Ela conta como é uma descarga de 244 milivolts no orgasmo feminino, detalhes sobre o misterioso “ponto G” e as últimas descobertas sobre o corpo da mulher.

Na página 72 e seguintes, a revista publicou uma pesquisa encomendada ao Ibope sobre a intenção de votos para presidente da República entre os jovens de 16 a 18 anos. Num universo calculado de 80 milhões de votos, essa faixa, que ganhou o direito de votar com a Constituição de 1988, representava 5% do eleitorado. Na resposta espontânea (com direito a várias opções), o então candidato do PT, Lula da Silva, apareceu em primeiro lugar com 39,5%, seguido de Leonel Brizola, Ulysses Guimarães, Paulo Maluf, Jânio Quadros, Orestes Quércia e Mário Covas. No quesito “rejeição” o líder também foi o representante petista: 53,3% de julgamento negativo. Entre os partidos, a preferência recaiu sobre o PT (26,5%), PMDB (21,3%), PDT (6,9%), PFL (3,2%), PDS (3,2%), PL (2,2%) e PSDB (2,2%). Fernando Collor, que sequer apareceu na pesquisa, acabou ganhando a eleição.

tawnni-cableNo quesito beleza, a edição traz o ensaio a espetacular norte-americana Twanni Cable, que, embora nascida no Estado do Oregon, parecia uma verdadeira havaiana, com sua beleza exótica. Isso porque ela havia largado um bom emprego em Nova York para morar no Havaí, onde “pegava a sua cor” na Praia de Wakiki, sempre com pequenos biquínis laranja, preto ou verde. Ela pensou em ser atriz. Conseguiu até uma participação no seriado Miami Vice, mas não foi para a frente. Mais à frente (página 106), a deslumbrante atriz russa Natalya Negoda, que acabava de sair do sucesso mundial A Pequena Vera, um marco do cinema de seu país, que ainda integrava a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Foi, por isso, “nomeada” a Musa da Perestroika (abertura política).

angelicaEspecialíssimo é também o ensaio O Namoro Anos 50, do escritor e roteirista norte-americano Dan Greenburg (página 114). Naqueles anos, segundo o autor, o namoro era difícil, mas cheio de desejos e delícias: “que viagem, rapaz!” Nos anos 50 havia regras no jogo e elas eram rígidas. Convidava-se uma garota para sair com três ou quatro dias de antecedência (assim, ela podia preparar o vestido). Na primeira noite, era praxe levá-la ao cinema ou, quem sabe, para tomar um sundae e, na saída da lanchonete, talvez ela permitisse uma pegadinha de mão. No segundo dia, no terceiro dia, no quarto dia... Era preciso ir com jeito. Na página 141, estão as dez perguntas para Angélica, a apresentadora que, “andando de taxi e tomando milk shake”, havia conquistado a garotada e brilhava na televisão e nos discos. Seu álbum Vou de Taxi, lançado na época, vendeu quinhentas mil cópias.

Na área musical, o destaque foi para o músico argentino Astor Piazzolla, que estava lançando o disco The New Tango, numa dobradinha com o vibracionista Gary Burton. “Ao contrário do tango tradicional, pleno de passionalismo, o de Piazzolla é ponderado pelo equilíbrio da maturidade”, escreveu o crítico Luiz Carlos Mansur. Também há uma referência à cantora baiana Gal Costa, que abriria uma turnê por Cuba, e à banda norte-americana R.E.M. O grupo conseguiu a proeza de produzir um disco (Green) melhor do que o anterior (Document). No cinema, o sucesso da vez foi o terceiro filme da série Indiana Jones, que marcou o reencontro de Steven Spielberg e George Lucas. Indiana Jones e a Última Cruzada trouxe nos papéis centrais os atores Harrison Ford e Sean Connery.

O ensaio de moda, a partir da página 96, discorre sobre os modelos masculinos para o inverno de 1989: “A moda masculina de inverno que está aí não deixa mesmo ele entrar. Sóbria, prática e elegante, vem com toques dos anos 50 (nos trenchcoats), dos 70 (nas lapelas mais largas dos paletós) e muitas novidades, como os coletes e as gravatas em technicolor total”, escreveu o especialista Fernando de Barros. Anteriormente, na pagina 81 e seguintes, reportagem de Ricardo Castilho apontou as melhores lojas de roupas masculinas do Brasil. O primeiro lugar ficou com a rede Richard´s (oito lojas no Rio de Janeiro, três em São Paulo, uma no Recife-PE e outra em Salvador-BA). O segundo posto foi para a Ralph Lauren (duas lojas em São Paulo e uma no Rio de Janeiro). A medalha de bronze ficou com a Bruno Minelli (seis lojas em São Paulo, uma em Campinas-SP e outra em Salvador-BA).

Piada da edição

gargalhada in1Três homens de negócios (um francês, um italiano e um brasileiro) viajavam lado a lado num voo internacional. Várias doses de bebida depois, eles começaram a conversar sobre suas vidas. — “Esta noite fiz amor com minha mulher quatro vezes” — contou o francês, orgulhoso. — “E de manhã ela me fez um delicioso crepe e jurou que me adora”. — “Eu dei seis” — bravateou o italiano. — “No café da manhã, minha mulher me fez uma suculenta omelete e disse que jamais poderia amar outro homem”.

O brasileiro ficou quieto o tempo todo. Para surpresa dos dois companheiros, manteve-se em silêncio quando chegou a sua vez. O francês não resistiu e lhe perguntou: — “Quantas vezes você fez amor com sua mulher esta noite?” — “Uma” — respondeu o brasileiro sem nenhum constrangimento. O italiano, sem evitar um ar de gozação, não resistiu e atiçou: — “Só uma? E o que ela lhe disse de manhã?” — “Não pare!” — tripudiou o brasileiro.

Publicidade

sandaloNa publicidade, as empresas patrocinadoras da edição foram: Asics Tiger (tênis), Bamerindus (banco), Bic (variedades), Bonaparte (moda masculina), Caixa Econômica Federal (banco), CCE (eletrônicos), Citibank (banco), Coca-Cola (refrigerantes), Fiat (carros), General Motors (carros), Giorgio Armani (moda masculina), Holywood (moda esportiva), J&B (uísque), L´Arc (perfumes), Lejon (vinho), Luna (queijos), Natura (produtos de beleza), Panasonic (eletrônicos), Penalty (tênis), Philco-Hitachi (eletrônicos), Philips (eletrônicos), Piedade (colchões), Pierre Cardin (jeans), Puma (carros), Renner (varejo), Samello (calçados), Sândalo (calçados), Smirnoff (vodca), Sollo (cartão de crédito), Souza Cruz (cigarros), Stern (joias), Strassburger (calçados), Tamboré (imóveis), Tramontina (utilidades domésticas), UAP (seguros), Valentino (moda masculina), Volkswagen (carros), Woolmark (moda masculina).

Ficha técnica da edição
Diretor de grupo: Mário Escobar de Andrade
Diretor de redação: Carlos Costa
Diretor Adjunto de moda e estilo: Fernando de Barros
Diretor Adjunto de atualidades: Carlos Maranhão
Redator-Chefe: Marcelo Duarte
Diretor de Arte: Carlos Grassetti
Editora de fotografia: Dulce Helena Pickersgill
Editor de texto e cultura: Luiz Antônio Maciel
Editora de serviço: Marília Scalzo
Editor executivo: Dante Grecco Neto
Editor Assistente: Donizete Galvão
Editores de arte: Lúcio Seiji Segawa e Regina Cassaro Campos
Repórteres: Ricardo Castilho e Suzana Junqueira
Consultora de moda e decoração: Suzie Pedovano
Produtor fotográfico de moda e decoração: Roggério Ceccassi
Produção fotográfica: Maria Cristina Romero e Rogério Ceccassi
Diagramação: Simone Spitzcovsky e Luiz Antônio Garcia
Secretário de produção: Enrique Garcia Moreno
Auxiliar de produção: Emerson G. Villar
Atendimento ao leitor: Sérgio Dávila
Sucursal do Rio de Janeiro: Jackson Cansolin Bezerra
Colaboradores: David Drew Zingg, Ethevaldo Siqueira,
J. R. Duran, Luís Fernando Veríssimo, Ruy Castro, Ziraldo...
Diretor de publicidade: Meyer Alberto Cohen
Gerente de circulação: Carlos Herculano Ávila
Assinaturas: Gérson Cury


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