Engenho
O MENINO DO ENGENHO foi lançado originalmente em 1932. Foi o livro de estreia do autor paraibano José Lins do Rego. Custeado pelo próprio autor, a obra recebeu a aclamação da crítica literária por retratar a decadência no Nordeste canavieiro. A história narra a vida do Carlinhos, que, ao perder a mãe, muda-se para a casa do avô. Nesse espaço, o engenho, um menino puro se transforma com o passar do tempo num menino libertino ao ter contato precoce com a vida sexual. Dentro desse cenário, ao contar essa história, o Lins do Rego dá conhecimento ao leitor da realidade social, política e econômica daquela região nordestina.
Com uma linguagem coloquial inspirada na tradição dos contadores de histórias e temperada com um delicado lirismo, o texto inaugura o Ciclo da Cana-de-Açúcar, um conjunto de cinco narrativas em que o autor retrata a decadência do engenho movido por escravos e a dura transição para o mundo moderno na usina. Escrito na primeira pessoa, o romance traz as lembranças do Carlos Melo. Ele tinha quatro anos quando o pai, num acesso de loucura, assassinou a mãe dele. Nas dolorosas lembranças infantis, infiltram-se a violência, o machismo e a arbitrariedade que vigoram no latifúndio. Isso tudo acelera o crescimento do menino. Aparecem os primeiros amores e o contato com a atmosfera mágica do interior. Em meio a tudo isso, o personagem convive com o estigma da doença.
Autor
JOSÉ LINS DO REGO nasceu no dia três de junho de 1901 na cidade de Pilar no Estado da Paraíba. Morreu no dia doze de setembro de 1957 na cidade do Rio de Janeiro. Figura na lista dos romancistas regionalistas mais prestigiados da literatura nacional. Pertence à segunda fase do modernismo brasileiro. Sua obra mais marcante retrata a transição dos engenhos patriarcais para usinas modernas. Aborda assim a decadência econômica e social. Também falou muito do cangaço, do misticismo e da seca. Deixou doze romances escritos. O primeiro — “O Menino do Engenho” — foi lançado em 1932. O último — “Cangaceiros” — saiu em 1953. A crítica aponta como a obra-prima dele o romance “Fogo Morto”, obra lançada em 1943.