eclipse1Bagé Vs. Eclipse Total

12/11/1966 — De repente, Bagé, cidade pacata do Rio Grande do Sul, transformou-se no centro das atenções de todo o mundo científico. Ali, precisamente às 12h05m05s, o Sol se apagou. Era o trigésimo nono eclipse total do astro-rei no século, um dos mais bem estudados e observados do mundo. Poucos momentos antes, um enorme arco-íris apareceu no céu, prenunciando a apoteose dum espetáculo em que os astros eram o Sol e a Lua. E o luminoso planeta Vênus, que pôde ser visto a olho nu durante os quase dois minutos da totalidade do eclipse. Um vento frio e cortante soprou de repente e a temperatura desceu cerca de 12 graus, proporcionando a milhares de pessoas o espetáculo raro de uma fantástica noite artificial.

Um espetáculo que levou ao Rio Grande do Sul perto de 500 cientistas de várias partes do mundo. Os eclipses totais do Sol ocorrem quando a Lua se interpõe entre o Sol e a Terra. Esta interposição ocasiona um cone de sombra de vários quilômetros de extensão, que escurece uma pequena parte do nosso planeta. Foi o que se deu no dia 12 de novembro de 1966: o diametro aparente da Lua, tornando-se maior que o diâmetro aparente do Sol, fez com que o cone de sombra da Lua atingisse a superfície terrestre. Um eclipse total do Sol compõe-se basicamente de quatro partes, ou contatos, como são chamados. No caso desse eclipse, o primeiro contato se deu às 10h45m47s, quando o disco lunar “tocou” pela primeira vez o disco solar. O segundo contato ocorreu quando o disco lunar tapou inteiramente o Sol. Um minuto depois o eclipse atingiu a sua fase máxima.

Eram precisamente 12h05m05,9s. O Sol estava a uma altura de 68 graus acima do horizonte. Uma estranha sombra envolveu a Terra. A duração da fase total do eclipse foi de exatamente 1m57s13. Quando esta terminou, teve inicio o terceiro contato. O quarto e último contato se deu quando a Lua deixou definitivamente de se interpor entre o Sol e a Terra. A duração do eclipse, entre o primeiro e êsse último contato, foi de 2h45m433, tendo abrangido uma faixa de 88 quilômetros de largura. Essa faixa, embora tendo uma extensão de 16 mil quilômetros de comprimento, tinha somente 3.200 quilômetros localizadas em terra firme, pois os restantes 12.800 quilômetros distribuíram-se pelos oceanos Atlântico e Pacífico. Assim, o eclipse tetal foi visível numa longa e estreita faixa que penetrou na América do Sul próximo à cidade de Lima, atravessou o Peru, a Bolivia, Paraguai a Argentina e entrou no Brasil na cidade de Itaqui, no Rio Grande do Sul.

Entre as cidades que cobriu estão Alegrete, Rosário do Sul, Bagé, Dom Pedrito, Arroio Grande, Erval e Pinheiro Machado. Além disso, alcançou o Atlântico, próximo à cidade de Rio Grande. Durante todas as fases do eclipse, era perigoso olhar de de frente para o Sol. Isso só poderia ser feito se os olhos estivessem protegidos com um filtro adequado, para reduzir os efeitos dos raios infravermelhos e ultravioletas. Esses raios poderiam causar sérios danos à vista ou até mesmo a cegueira. Depois desse eclipse total, foi registrado um outro no dia 03 de novembro de 1994. Este apresentou uma gigantesca sombra de 200 quilômetros de diâmetro. Essa sombra entrou pelo Oceano Pacífico, passou pelo Chile, Bolívia e Paraguai e entrou no Oeste de Santa Catarina. Passou pelas cidades de Chapecó, Lages e Criciúma, entrando em direção ao Oceano Atlântico.


 

 



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