aleijadinho-rosario1Aleijadinho

Uma imagem sacra esculpida por volta de 1760 por Antônio Francisco Lisboa — o Aleijadinho — foi localizada numa igreja da cidade de Cuzco, no Peru, em dezembro de 2011. É a primeira obra do mestre do barroco mineiro encontrada fora do Brasil. Segundo os estudiosos, provavelmente foi levada pelos jesuítas expulsos do país naquela época. O busto, de 20 centímetros em madeira pintada, foi descoberto pelo pesquisador Marcelo Coimbra, de Itu. A atribuição da autoria ao artista mineiro foi feita pelo historiador mineiro Márcio Jardim, autor do Catálogo Geral da Obra de Aleijadinho, lançado em outubro passado.

O pesquisador de Itu viajou para Cuzco a fim de estudar o barroco andino,que, segundo ele, guarda semelhanças com a arte desenvolvida em Ouro Preto no século XVIII. Ele estava observando o altar-mor da Igreja da Companhia de Jesus, na Praça da Armas, quando viu uma imagem com as características de Aleijadinho. Os estilemas (marcas pessoais do artista) são semelhantes aos de uma imagem de São Francisco de Paula, que está no Museu de o Aleijadinho, em Ouro Preto. No laudo de atribuição, o historiador Márcio Jardim afirmou ter encontrado outras marcas características, como os olhos achinezados, o nariz afilado, as sobrancelhas arqueadas em linha reta com o nariz, entre outras.

aleijadinho in1ANTÔNIO FRANCISCO LISBOA nasceu no dia 29 de agosto de 1730 (data oficializada pelo Patrimônio Artístico e Histórico Nacional), na cidade de Vila Rica (hoje Ouro Preto), Minas Gerais. Morreu, na mesma cidade, no dia 18 de novembro de 1814.

Pouco se conhece sobre sua infância. Sabe-se que ainda criança começou a entalhar madeira, ao mesmo tempo em estudava desenho. Seu tio, Antônio Francisco Pombal, era um afamado entalhador. Trabalhou na construção da Casa da Câmara e da cadeia de Mariana e foi quem completou a ornamentação da capela-mor da Igreja Nossa Senhora do Pilar, matriz do Bairro de Ouro Preto. Seu pai, Manuel Francisco Lisboa, também foi autor de grandes projetos, como a monumental Igreja da Ordem Terceira do Carmo e o traçado da matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, ambos em Vila Rica. Participou, ainda, de vários trabalhos de vulto, como a ponte sobre o córrego de Antônio Dias, os chafarizes desta ponte e o chamado Pissarrão, todos em Vila Rica, além da talha no altar de São Miguel e na capela-mor da matriz de Catas Altas.

Desde cedo, o menino acompanhou os trabalhos de entalhador do pai e do tio, desenhando fachadas de igrejas e ajudando nos projetos. Além de ter aprendido as primeiras letras e matemática, mais rudimentos de latim e música com os frades de Vila Rica. Grudado à oficina do pai, passou a adolescência desenvolvendo as artes do desenho, da arquitetura e do ornamento, preparando-se para ser escultor e entalhador. Logo rivalizaria com o pai na arquitetura: enquanto a Ordem Terceira do Carmo aprovava o projeto de seu genitor para construir a sua igreja, a Ordem Terceira de São Francisco escolhia o seu projeto para a capela de Assis da Penitência.

Além deste, realizou trabalhos de arquitetura em várias cidades de Minas Gerais: as capelas da confraria dos Negros de São José e da confraria de Nossa Senhora das Mercês e dos Perdões, ambas em Vila Rica; a fachada da matriz de Santo Antônio, em Tiradentes; o portal da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Mariana; a capela da confraria dos Terceiros de São Francisco, em São João Del-Rey; e a nave, o coro e as portas principais da Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Porém, mais que arquiteto construtor, foi um grande escultor e entalhador.

A partir de 1769, trocou a madeira pela pedra-sabão como material de trabalho. Começou por esculpir púlpitos. A partir de 1796, dedicou-se à execução dos passos e dos profetas de Congonhas do Campo, no santuário do Bom Jesus de Matozinhos. São 66 figuras esculpidas em madeira, representando os passos da via sacra, e doze estátuas em pedra-sabão. De cada lado de uma larga avenida central, muito íngreme, estão as seis capelas dos passos, às quais se chega por pequenos desvios em ziguezague. Ali se encontram a Ceia, o Monte das Oliveiras, a Flagelação, o Coroamento de Espinhos e, numa só capela, Jesus Carregando a Cruz e Crucificação.

Por volta dos 47 anos, veio-lhe a doença deformante, que uns identificaram como escorbuto, outros como lepra e outros, ainda, como sífilis e reumatismo. A doença o martirizou até a morte e grande parte de sua obra foi feita sob esta síndrome. Nos últimos anos de vida pouco trabalhou. Muito fraco, mudou-se para a casa de sua nora Joana. Deitado sobre um estrado feito de tábuas, passou dois anos inteiros sem sair do leito, com um dos lados do corpo horrivelmente machucado, sempre a ler a Bíblia. Sua obra funde os diferentes estilos barroco rococó, além dos estilos clássico e gótico. Seus trabalhos podem ser vistos em várias cidades mineiras, como Ouro Preto, Congonhas do Campo, Sabará, São João Del-Rey, Mariana, Caeté, Barão de Cocais e Tiradentes.


 

 

 



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