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Categoria: Caderneta de Poupança
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Poupança

11/02/2020 — Com os rendimentos comprometidos por causa da queda dos juros, o interesse na Caderneta de Poupança começou 2020 em baixa. Em janeiro, os investidores retiraram R$ 12,4 bilhões a mais do que depositaram na aplicação, informou o Banco Central. Essa foi a maior retirada mensal líquida da história desde o início da série, em 1995. O recorde anterior tinha sido registrado em janeiro de 2016, quando a retirada líquida somou R$ 12 bilhões. Tradicionalmente, o primeiro mês do ano apresenta forte retirada de recursos da poupança. Isso, porque a população usa parte das reservas financeiras para cobrir os gastos do início de ano, como impostos, material escolar e dívidas das compras natalinas.

Até 2014, os brasileiros depositavam mais do que retiravam da poupança. Naquele ano, as captações líquidas chegaram a R$ 24 bilhões. Em 2015, com o início da recessão econômica, os investidores passaram a retirar dinheiro da caderneta para cobrir dívidas, num cenário de queda da renda e de aumento do desemprego. Ainda naquele ano, R$ 53,6 bilhões foram sacados da aplicação, a maior retirada líquida da história. Em 2016, os saques superaram os depósitos em R$ 40,7 bilhões. A tendência inverteu-se em 2017, quando as captações excederam as retiradas em R$ 17,1 bilhões. Em 2018, a tendência  se manteve com captação líquida de R$ 38,3 bilhões. Em 2019, a poupança registrou captação líquida de R$ 13,3 bilhões.

Com rendimento de 70% da Taxa Selic, a poupança está atraindo menos recursos porque os juros básicos estão no menor nível da história. Com a Selic em 4,25% ao ano, o investimento está cada vez rendendo menos. Em 2019, a aplicação rendeu 4,26%, segundo o Banco Central, contra a inflação oficial de 4,31%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Para 2020, o Boletim Focus, pesquisa com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, prevê inflação oficial de 3,4% pelo IPCA. Com a atual fórmula de rendimento, a poupança renderá 2,975% em 2020, caso a Selic permaneça em 4,25% ao longo de todo este ano. Assim, é quase certeza que muitos investidores façam retiradas para migrarem para outros tipos de aplicação.

CADERNETAS DE POUPANÇA — Foram concebidas pelo imperador Dom Pedro II em 1861 com o decreto que instituiu e regulou a Caixa Econômica Federal. Tinha na época o objetivo único de remunerar depósitos com juros de 6% ao ano com a garantia do governo imperial. Essa modalidade de investimento era destinada às pessoas de baixa renda e permitia depósitos de até 50 mil réis. Em 1874, o rendimento da caderneta de poupança foi alterado através de um novo decreto. Pela nova norma, ficou estabelecido que as taxas de juros remuneratórios nunca seriam superiores a 6% ao ano e que seus valores seriam fixados anualmente pelo governo imperial.

Em 2012, a legislação brasileira determinou que os depósitos na caderneta de poupança realizados até 3 de maio daquele ano continuassem recebendo remuneração adicional de 0,5% ao mês (além da remuneração básica). Os depósitos realizados a partir de 4 de maio de 2012 (a então nova poupança), passaram a receber remuneração adicional variável de acordo com a meta estabelecida pelo Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, mais conhecido como Taxa Selic. Com essas alterações, a rentabilidade adicional da caderneta de poupança passou a ficar sujeita às variações da referida taxa, mas mantendo-se limitada a 0,5% ao mês durante períodos de altas taxas de juros. Por isso, segundo os economistas, quanto menor for a Selic melhor será o investimento na caderneta de poupança.